Maputo, 05 Ago (AIM) – O Governo reforçou a aposta no fortalecimento dos sistemas de recolha, gestão e utilização de dados sobre a fortificação de alimentos, considerando-os essenciais para melhorar o combate às deficiências de micronutrientes e orientar políticas públicas mais eficazes na área da nutrição.
A posição foi manifestada esta quarta-feira, em Maputo, na abertura do workshop sobre Definição de Prioridades de Dados para Fortificação de Alimentos, que decorre até quinta-feira, reunindo representantes do Governo, da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), parceiros de cooperação, indústria alimentar e sociedade civil.
A secretária de Estado da Indústria, Custódia Paunde, afirmou que a produção de alimentos fortificados constitui a “espinha dorsal” do Programa Nacional de Fortificação de Alimentos e defendeu uma maior articulação entre todas as instituições envolvidas.
“Este workshop tem como objectivo fundamental discutir e explorar abordagens inovadoras para reforçar os sistemas de dados sobre a fortificação de alimentos em Moçambique, garantindo que as prioridades identificadas se traduzam em compromissos concretos e sujeitos à monitoria”, afirmou.
Segundo a governante, o balanço de 2025 demonstra um crescimento da produção e distribuição de farinha de milho, farinha de trigo, açúcar, óleo alimentar e sal iodado fortificados, reforçando a capacidade da indústria nacional para disponibilizar alimentos de melhor qualidade nutricional.
Por sua vez, o especialista Sénior em Nutrição da Unidade de Desenvolvimento Social e Humano da SADC e co-presidente do Mecanismo de Coordenação Regional da África Oriental e Austral (ESA RCM), Raymond Chikomba, defendeu que a disponibilidade de informação fiável é determinante para medir o impacto da fortificação alimentar.
“Primeiro precisamos de conhecer o problema, saber quem recolhe os dados, medir a situação nutricional da população e acompanhar o cumprimento das normas pela indústria e pelas entidades reguladoras”, explicou.
A chefe de Saúde e Nutrição do UNICEF em Moçambique, Maaike Arts, considerou que a qualidade dos dados condiciona directamente a qualidade das decisões.
“Os dados permitem identificar lacunas, compreender os desafios, alocar recursos de forma eficiente e medir o impacto das intervenções que implementamos”, afirmou, defendendo mecanismos nacionais mais robustos de coordenação e partilha de informação.
Em declarações à imprensa, a coordenadora do Comité Nacional de Fortificação de Alimentos (CONFAM), Eduarda Mungoi, explicou que o encontro resulta das recomendações do diálogo regional realizado em 2025, em Addis Abeba, e pretende assegurar que a fortificação produza resultados efectivos na redução das deficiências de micronutrientes.
“Não basta fortificar. É preciso fortificar nos níveis adequados para produzir impacto real na redução das deficiências de ferro, vitamina A, ácido fólico e outros micronutrientes”, afirmou.
Segundo Mungoi, Moçambique apresenta níveis de cumprimento da fortificação entre 60 e 70 por cento, persistindo desafios sobretudo na produção em pequena escala.
“O principal desafio está nos pequenos produtores de farinha de milho e de sal, que ainda necessitam de maior apoio técnico, fiscalização e acesso aos insumos para garantir uma fortificação sustentável”, concluiu.
(AIM)
NL//pc
