Nampula (Moçambique), 23 Out (AIM) – Empresários do sector mineiro da província de Nampula, no norte de Moçambique, queixam-se de invasões aos seus domínios e extorsões o que agrava a crise em que estão mergulhados decorrente das vandalizações e destruições de que foram alvo durante as manifestações pós-eleitorais.
Hélio Mualeia, empresário do sector em representação do Conselho Empresarial de Nampula, (CEP), revelou que, actualmente, os operadores vivem dias de angústias e incertezas.
Mualeia falava esta quinta-feira, na abertura da VII edição da Feira Anual de Gemas de Nampula (FAGENA).
“Como sector, trazemos algumas angústias e incertezas. Não é segredo que durante as manifestações violentas o sector mineiro na província de Nampula foi fustigado e 70 por cento das empresas foram destruídas quase por completo. E, ainda hoje, embora nos centros das cidades a vida já tende a voltar ao normal, nas zonas mineiras ainda existem focos de invasões a todos aqueles que tentam levantar-se”, denunciou alarmado.
As queixas dos empresários estendem-se às entidades de tutela, pois, segundo o CEP, deixam-os desamparados.
“Igualmente, sentimos um total desamparo pelas entidades que tutelam o sector, de tal forma que o mesmo processo administrativo só tem solução se cada um fizer pelos seus caminhos, pois, se olhar pelo que está plasmado na lei e preencher os requisitos seja qual for o seu pedido, a resposta é um silêncio. Cada vez que for cobrar, a resposta nunca se viu nem se conhece tal assunto. Este ponto é especialidade do cadastro mineiro, forçando o operador ao descaminho”, anotou.
Mualeia considera inclusivamente que “ser operador mineiro, na nossa província, é escolher ter fama sem proveito, pois grande parte do valor que se investe é fruto de dívida particular, e o tempo mínimo de implantação são três anos e um investimento financeiro avultado com alto factor de risco sob um quadro legal desencorajador e que o principal parceiro, que é o Estado, não tem a paciência de esperar”, lamentou.
Entretanto, os empresários de Nampula, através da sua agremiação, mostram-se comprometidos em defender os seus interesses e ainda assessorar as autoridades na busca de melhores soluções, mas deixam um alerta.
“Quem é operador mineiro já nasce com multa no IGREME, extorsão nas estradas e uma carta de aviso de cancelamento de licença, visto que a sociedade olha para os mineradores como pessoas que somente vem retirar os recursos e não se olha para os custos em investimentos”, disse.
O CEP deixou vigoroso apelo para que sejam criadas as condições ideais para que a atividade ultrapasse esses desafios imediatos.
“Estamos perante um dos maiores desafios do sector de todos os tempos: encontrar condições sociais que nos permitam voltar a trabalhar com o mínimo de garantia de paz e estabilidade social e fazer o investidor voltar a acreditar que Nampula é possível, atrair e buscar capitais”, sugeriu.
A FAGENA é um evento que teve o seu início nesta quinta-feira com término marcado para o próximo sábado e incorpora exposições e painéis de debates sobre a indústria mineira em Moçambique com a participação de operadores, académicos, entre outros.
(AIM)
Rosa Inguane/dt
