Bloco Operatório Central- sala de cirurgia. Foto de Carlos Júnior
Maputo, 04 Nov (AIM) – O chefe do Programa Nacional de Cirurgia, Machicano Costa, adverte sobre o défice crítico de cirurgiões e anestesistas em Moçambique, particularmente nas províncias de Cabo Delgado, Niassa, Inhambane, Gaza e Manica, algo que compromete a prestação de cuidados cirúrgicos e obriga à transferência frequente de pacientes para outras regiões do país ou estrangeiro.
Segundo Costa, estas províncias contam, em média, com apenas um a dois cirurgiões nacionais, havendo casos em que existe apenas um anestesista para toda a província, realidade que distancia o país do rácio ideal de 20 cirurgiões por cada 100 mil habitantes.
Costa falava no âmbito do Desenvolvimento do Plano Nacional de Cirurgia Obstetrícia e Anestesia. O evento tinha como objectivo colher dados e traçar estratégias para responder as necessidades do sector cirúrgico, que comprometem a prestação de cuidados dos de pacientes
O responsável disse que esta limitação leva à concentração de doentes em unidades de Maputo, Beira e Nampula, bem como em hospitais fora do país, implicando elevados custos para o sector.
Paralelamente, decorre um levantamento nacional para avaliar a situação actual dos serviços de cirurgia, obstetrícia e anestesia, incluindo recursos humanos, infra-estruturas e financiamento. Os dados recolhidos irão orientar a definição de metas para os próximos dez anos no âmbito do Plano Nacional de Cirurgia, Obstetrícia e Anestesia (PNCOA).
Costa explicou que o processo inclui todos os intervenientes da cadeia cirúrgica, desde cirurgiões, ginecologistas e obstetras, anestesistas, instrumentistas, enfermeiros de bloco operatório e profissionais de cuidados intensivos, de forma a assegurar uma abordagem integrada.
Indicou ainda que, embora o país continue a contar com o apoio de médicos estrangeiros, o objectivo é acelerar a formação de especialistas nacionais, garantindo que províncias como Sofala, Nampula e Zambézia consolidem os seus centros de formação e que Cabo Delgado e Niassa também possam atingir esta capacidade.
O responsável sublinhou que, além da intervenção cirúrgica, os cuidados antes e depois da operação requerem equipas devidamente preparadas, sendo por isso essencial reforçar a formação em anestesia para garantir maior segurança aos doentes.
A elaboração do PNCOA visa, assim, reduzir assimetrias no acesso, fortalecer a capacidade local e assegurar assistência cirúrgica adequada em todo o território nacional.
(AIM)
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