Mpox. Foto OMS
Matola, 06 Ago (AIM) ‒ O Director Nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes, anunciou hoje (06), que apesar de as unidades sanitárias possuírem capacidade para isolamento de pacientes, a medida não será usada pois ainda não é necessária.
Quinhas assegura que os pacientes com a doença apresentam uma evolução satisfatória, ainda que em isolamento domiciliar, conforme foi possível observar com os casos já recuperados.
“A Mpox, como temos estado a explicar, é uma doença zoonótica (transmitida de animais para o homem) de origem viral e é, em geral, autolimitada. Portanto, vai começar e vai terminar. A maior parte dos pacientes vai evoluir de forma satisfatória e não vai precisar de internamento”, disse a fonte.
Fernandes falava na província de Maputo, onde chefia a equipa desta parcela do país no controlo da doença, de onde fez a radiografia da evolução da Mpox pelo país.
O país regista 31 casos cumulativos de Mpox (mais 02 que na terça-feira), distribuídos pelas províncias de Niassa, com 28 casos; província de Manica (0 2) casos; e Maputo Província (01).
Dos 31 casos confirmados, 13 são do sexo feminino e 18 do sexo masculino, com 80% dos casos em pacientes da faixa etária dos 15 aos 45 anos e 02 registados em menores de 5 anos. Treze dos pacientes infectados (província de Niassa) já tiveram alta, após terem passado do período de isolamento domiciliar e apresentam melhorias e, 18 continuam em isolamento, estando, todos, a evoluir de forma satisfatória, sem registo de óbitos relacionados com a doença.
Fernandes garante que “todas as províncias têm capacidade para isolar casos que precisam de isolamento hospitalar”, mas “não parece que seja necessário usar muitos dos leitos que estão preparados, uma vez que a maior parte dos pacientes não vai precisar de um internamento”.
O país soma 185 casos suspeitos da doença, 153 dos quais foram testados, 122 são negativos e os restantes 32 seguem em processamento. O elevado número de casos suspeitos é normal, de acordo com Fernandes, pois indica o nível de alerta do país.
“O número de casos suspeitos vai tender a aumentar e isto é bom porque mostra a nossa capacidade. Como tenho estado a explicar, há várias outras doenças, como por exemplo a varicela, que tem um quadro clínico muito similar. Então é importante que se eleve o nível de suspeita e que estes casos suspeitos sejam testados é bom saber que estes casos são negativos”.
Sobre a vacinação contra a doença, garantiu que “é uma medida complementar, mas não a primeira”, recordando do caso controlado, em Maputo, no ano de 2022, sem necessidade de vacinação. Ainda assim, o país solicitará vacinas, apesar do seu acesso limitado.
“A vacinação é importante em determinados contextos epidemiológicos. Nos próximos dias vamos fazer a solicitação desta vacina, mas, infelizmente, há muitas restrições ao nível global da vacina para a Mpox. Há vários países que solicitaram e nem todos se qualificaram para a sua aquisição” advertiu, esperançoso que o país consiga receber a vacina.
Fernandes apela para a intensificação das medidas de prevenção, incluindo isolamento dos casos positivos evitar o contacto com os objectos dos pacientes infectados, partilha de toalhas de banho, de roupa de cama e até de roupa individual; evitar o contacto físico prolongado com indivíduos que tenham confirmação da doença ou que apresentem sintomatologia; uso de máscara, particularmente pelo paciente que esteja infectado, pois, poderá expelir gotículas, o que pode contribuir para a transmissão; e a prática de relações sexuais protegidas.
Concluiu com um apelo para a não propagação de desinformação, para evitar o pânico e discriminação dos pacientes infectados.
Reiterou que todos os casos suspeitos devem ser encaminhados para a unidade sanitária mais próxima para verificação, colheita de amostras e análise laboratorial.
(AIM)
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