Olamide Harrisson, representante residente do FMI em Moçambique
Maputo, 05 Nov (AIM) – O Fundo Monetário Internacional (FMI) adverte que a dívida pública de Moçambique exige uma gestão mais prudente, de modo a preservar a sustentabilidade fiscal e garantir espaço para o crescimento económico.
O alerta foi lançado por Olamide Harrisson, representante residente do FMI em Moçambique, durante o Fórum Bancário, organizado pelo Banco ABSA, quarta-feira, em Maputo.
O mesmo surge numa altura em que o Governo acaba de aprovar a Estratégia da Gestão da Dívida Pública e Compromisso com Sustentabilidade de Médio Prazo, um instrumento que define um quadro prudente para o endividamento do Estado, equilibrando custo e risco no médio prazo.
“A situação fiscal de Moçambique continua difícil. As pressões sobre o orçamento e o peso crescente da dívida realçam a importância de uma resposta política abrangente, coerente e credível”, declarou Harrisson, destacando que uma gestão prudente da dívida é essencial para preservar a estabilidade macroeconómica e manter a confiança dos investidores.
Segundo o FMI, o país encontra-se “num momento crucial”, em que o crescimento económico precisa de ser sustentado por políticas que assegurem disciplina orçamental e eficiência na despesa pública. Harrisson destacou que as vulnerabilidades fiscais, monetárias e externas persistem, e que os riscos permanecem inclinados para o lado negativo, num contexto internacional de incerteza e custos de financiamento elevados.
A recente estratégia aprovada pelo Conselho de Ministros define metas de médio prazo para estabilizar a dívida pública, que continua muito elevada. Harrisson considera positivo o compromisso do Governo em adoptar um quadro de sustentabilidade, mas adverte que a eficácia desta estratégia dependerá da sua implementação disciplinada e da transparência na contratação e gestão da dívida.
Entre as recomendações, o FMI defende maior mobilização de receitas internas, priorização de financiamento concessional, alongamento dos prazos de maturidade da dívida e reforço da supervisão sobre as empresas públicas.
Harrisson reconhece os progressos recentes na inclusão financeira e digitalização dos serviços bancários, áreas onde Moçambique demonstra dinamismo e inovação. No entanto, adverte que a expansão financeira não pode avançar sobre uma base fiscal frágil.
De acordo com os dados apresentados pela fonte, citando o Banco de Moçambique, o crédito à economia representa cerca de 20 por cento do PIB e os depósitos bancários subiram para 49 por cento, com um aumento expressivo das contas de dinheiro móvel. Ainda assim, as taxas de poupança continuam baixas e o uso de crédito formal permanece limitado, especialmente nas zonas rurais.
“O fosso entre o acesso e a utilização efectiva de serviços financeiros continua grande”, observou Harrisson.
O representante do FMI enquadrou a situação moçambicana num contexto regional mais amplo, apontando que, segundo as Perspectivas Económicas Regionais de Outubro, o crescimento na África Subsariana deverá atingir 4,1% em 2025, com ligeira recuperação para 4,4% em 2026, apesar de um ambiente externo desafiante.
“A região demonstra resiliência, mas enfrenta uma travessia difícil: preços voláteis das matérias-primas, condições de financiamento ainda apertadas e redução da ajuda internacional”, explicou Harrisson.
(AIM)
Paulino Checo
