Maputo, 12 Nov (AIM) – Moçambique passa a dispor, pela primeira vez, de uma ferramenta estatística que permite a colecta de dados económicos específicos relativos às actividades ligadas ao mar e às águas interiores, permitindo assim avaliar a sua real contribuição na economia nacional.
Maria Benvinda Levi, Primeira-Ministra da República de Moçambique, disse, por ocasião da cerimónia de lançamento nacional da Conta Satélite da Economia Azul de Moçambique, que “a operacionalização desta ferramenta irá igualmente concorrer para o reforço da capacidade do Governo de formular políticas e implementar acções mais eficazes para o desenvolvimento económico, equidade social e preservação ambiental.”
Segundo a Primeira-Ministra, o lançamento da Conta Satélite da Economia Azul marca uma etapa importante para a divulgação, acessível e transparente, de informação fiável relativa à matéria em destaque.
Sublinhou que “o exercício que agora testemunhamos deve servir de inspiração para outros sectores vitais da nossa economia, concorrendo para que, qualquer cidadão, em qualquer ponto do país ou do mundo, possa avaliar o contributo de cada sector para o desenvolvimento nacional.”
Disse que Moçambique dispõe de elevado manancial de recursos marinhos e lacustres.
“Nos cerca de 600 mil quilómetros quadrados de águas marítimas e interiores, registamos a prática de um conjunto de actividades socioeconómicas, que vão desde a pesca, aquacultura, produção hidroelétrica de energias renováveis, exploração de hidrocarbonetos, lazer, desporto, cultura e turismo”, explicou.
Disse que “estas e outras actividades são fontes de geração de emprego e renda para milhões de moçambicanos, contribuindo, por conseguinte, para o desenvolvimento sócio-económico do nosso país.”
Através de dados colectados e analisados, entre 2019 e 2023, constata-se que cerca de 11% do Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique teve origem em actividades ligadas à Economia Azul. “Este é um indicador que reforça o seu peso estratégico e o seu contributo para o desenvolvimento sustentável do nosso país,” afirmou a Primeira-Ministra, no evento que decorreu terça-feira, em Maputo.
De forma mais específica, de acordo com Levi, os sectores que mais contribuíram para a criação desta riqueza foram a pesca e a aquacultura, os hidrocarbonetos, a energia hidroeléctrica e o turismo costeiro e marítimo, sectores que, em conjunto, representaram mais de dois terços da contribuição da Economia Azul na economia nacional.
“Este facto demonstra que as actividades desenvolvidas no mar e nas águas interiores são pilares essenciais na nossa economia, o que justifica o lançamento da Conta Satélite da Economia Azul”, afirmou.
A implementação da Conta Satélite da Economia em Moçambique requer a colaboração activa de diversos actores públicos e privados.
Por isso, segundo Benvinda Levi, as instituições governamentais, em particular o Instituto Nacional de Estatística (INE) e os ministérios sectoriais, “devem assegurar a recolha sistemática, padronizada e fiável de dados económicos, sociais e ambientais, essenciais para a consolidação da conta.”
A Primeira-Ministra revelou que o sector privado, com destaque para as empresas, associações empresariais e cooperativas, é chamado a dar o seu contributo através da disponibilização regular de informações sobre produção, investimento, emprego e comércio.
De acordo com a Primeira-Ministra, as universidades e centros de pesquisa também devem garantir que a conta satélite seja alimentada por informação diversificada e de qualidade através da análise, validação e disseminação de dados.
Levi manifestou optimismo com a iniciativa, indicando que “estamos certos que os dados constantes da Conta Satélite da Economia Azul servirão de elemento de planificação e mobilização de mais investimento, público e privado, para continuarmos a maximizar o uso sustentável dos recursos oceânicos e lacustres e, por conseguinte, acelerar o crescimento económico do nosso país.”
Encorajou o sector financeiro a olhar para as actividades desenvolvidas no âmbito da economia azul como oportunidades de investimento rentável e sustentável.
(AIM)
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