Fábrica de Alumínio Mozal
Maputo, 16 Dez (AIM) – A fundição de alumínio da Mozal, nos arredores de Maputo, ameaça suspender as suas actividades a partir de 15 de Março próximo.
O presidente da Mozal, Samuel Samo Gudo, disse em conferência de imprensa em Maputo, havida nesta terça-feira (16), que a empresa não conseguiu chegar a acordo com o governo moçambicano sobre a tarifa que a Mozal deve pagar pela energia.
A electricidade é um custo determinante para todas as fundições de alumínio e, sem acordo sobre o preço, a Mozal corre o risco de encerrar.
Os factores ambientais agravam ainda mais a situação. Samo Gudo salientou que, mesmo que quisesse, o governo moçambicano não está em condicoes de fornecer 950 megawatts à Mozal. Isto porque o Vale do Zambeze está a ser atingido por uma seca severa.
A HCB, a empresa que explora a barragem de Cahora Bassa, no Zambeze, está totalmente dependente dos níveis de água na albufeira. Actualmente, não há água suficiente na albufeira para gerar a energia necessária para a HCB cumprir os seus compromissos.
Mesmo que chova muito na actual estação chuvosa (que começou em Outubro), Samo Gudo dúvida que isso seja suficiente para permitir que a barragem retome o seu funciona normal. Ele acredita que serão necessárias duas ou três estações chuvosas normais para restaurar os níveis de enchimento da albufeira de Cahora Bassa.
O plano actual da Mozal é colocar a fundição num programa de manutenção básica. Não será encerrada, mas Samo Gudo disse que serão necessários 12 meses para voltar a pôr a Mozal em funcionamento,
A Mozal é a maior fábrica em Moçambique e é uma parte fundamental da estratégia de industrialização do governo. Dezenas de outras empresas fornecem bens e serviços à Mozal.
A Mozal emprega 1.100 pessoas directamente e cerca de 5.000 indirectamente. A perda de todos estes postos de trabalho seria um golpe devastador para a economia moçambicana – daí que o governo tenha um forte incentivo, mesmo a esta hora tardia, para negociar um acordo com a South32.
“Compreendemos como este anúncio é difícil para a nossa equipa na Mozal e para os nossos parceiros em Moçambique. O foco imediato da Mozal é a segurança e o bem-estar das suas pessoas, bem como a suspensão segura e ordenada das operações na fundição em Março de 2026”, disse Samo Gudo.
Enquanto isso, a Mozal está a dialogar com os trabalhadores, sindicatos e órgãos governamentais relevantes sobre o significado deste anúncio. Também está a consultar os fornecedores, clientes e parceiros comunitários da Mozal sobre como este anúncio os afectará.
(AIM)
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