Elogio Fúnebre proferido pelo Presidente da República, Daniel Chapo, no Velório de Luísa diogo. Foto de Carlos Júnior
Maputo, 23 Jan (AIM) — O Chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo, afirmou hoje que é difícil aceitar a morte de Luísa Diogo, por ocorrer numa altura em que o país ainda precisava do seu contributo para a consolidação do Estado e estabilidade das instituições.
“Como aceitar que Luísa Diogo partiu, se a construção do Estado, da estabilidade das nossas instituições, a esperança de um país que aprende a caminhar para frente, ainda precisavam da sua excelente contribuição?”, questionou o Presidente da República, ao proferir o elogio fúnebre da antiga Primeira-Ministra.
Daniel Chapo descreveu a vida de Luísa Diogo como sinónimo de serviço ao Estado, história e testemunho, marcada por dedicação ao trabalho, competência, patriotismo e amor ao próximo, considerando-a uma fonte de inspiração para todos os moçambicanos e uma trajectória que deve ser estudada pelas gerações futuras.
O Chefe do Estado falava no Paços do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, durante a cerimónia fúnebre realizada na presença de familiares, amigos e antigos colegas de trabalho da primeira mulher a ocupar o cargo de Primeira-Ministra em Moçambique.
Na ocasião, sublinhou que não apenas as famílias Diogo e Silva choram a sua partida, mas todo o país, que perdeu “uma referência nacional, regional, continental e mundial”, deixando “uma ferida na memória colectiva”.
Referindo-se às origens da estadista, Daniel Chapo recordou que Luísa Diogo nasceu numa machamba, na zona rural de Mágoè, na província de Tete, entendendo que ali “nasce a força e a coragem do Povo moçambicano, o alimento, a prosperidade e a economia”, acrescentando que o destino lhe reservou a missão de economista ao serviço do desenvolvimento nacional.
Segundo o Presidente da República, a paixão de Luísa Diogo pela economia não se limitava às teorias académicas, mas traduzia-se numa ferramenta prática para a construção de um Moçambique próspero, inclusivo e justo.
Chapo destacou igualmente o seu elevado patriotismo, evidenciado pelo facto de ter sido recrutada para o exército durante a sua formação universitária, onde cumpriu exemplarmente o treino político-militar, antes de ser desmobilizada.
“Essa passagem pelo exército, apesar de breve, mostrou em Luísa Diogo a disciplina, o patriotismo, a disponibilidade para defender a Pátria e para honrar a Bandeira que hoje lhe cobre”, sublinhou.
Num momento de forte carga emocional, o Presidente da República dirigiu palavras de conforto à família nuclear da finada, assegurando ao esposo que “Moçambique está consigo” e aos filhos que “Moçambique abraça-vos”.
“A vossa mãe pertenceu-vos com amor, dedicação e responsabilidade, mas pertenceu também ao País, com muita dedicação, muita responsabilidade e muita competência”, afirmou.
Daniel Chapo evocou ainda excertos do livro A Sopa da Madrugada, da autoria de Luísa Diogo, no qual esta pede perdão aos filhos pelas ausências prolongadas, pelo cansaço após longos dias de trabalho, pelas férias adiadas e pelo vazio criado em momentos em que o serviço ao Estado a impediu de estar presente.
Na parte final do seu discurso, Daniel Chapo enalteceu o facto de Luísa Diogo nunca se ter afastado do serviço público, mesmo após deixar o cargo de Primeira-Ministra, tendo exercido funções como deputada da Assembleia da República e desempenhado cargos de relevo no sector privado, com destaque para a presidência do Conselho de Administração do Barclays Bank Moçambique, actual Absa Bank.
Sublinhou, ainda, que Luísa Diogo manteve sempre a humildade, a simplicidade e a humanidade, sem permitir que a grandeza pública ou o prestígio lhe roubassem esses valores.
Luísa Diogo perdeu a vida a 16 de Janeiro corrente, em Portugal, vítima de doença, aos 67 anos.
(AIM)
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