Armas de fogo e dinheiro confiscados durante a operação
Maputo, 09 Fev (AIM) – O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), na Cidade de Maputo, deteve, a 6 de Fevereiro corrente, dois cidadãos, sendo um de nacionalidade chinesa e outro moçambicana, indiciados pelos crimes de danos, incêndio, associação criminosa e outros actos especialmente perigosos, previstos e puníveis pelo Código Penal.
Segundo o porta-voz do SERNIC na cidade de Maputo, João Adriano, os arguidos são suspeitos de terem mandado incendiar, na madrugada de 26 de Novembro de 2025, um estabelecimento comercial pertencente a um cidadão chinês, vocacionado à venda de electrodomésticos e produtos alimentares, com o objectivo de eliminar a concorrência no mercado.
“O cidadão chinês detido é tido como mandante desta acção. Ele contratou um moçambicano, que por sua vez subcontratou outros indivíduos para executar o plano”, explicou o porta-voz.
De acordo com a SERNIC, os executores recorreram a artefactos de fabrico caseiro, vulgarmente conhecidos como bombas caseiras, que foram arremessados contra o estabelecimento, provocando um incêndio de grandes proporções.
A fonte acrescentou que a acção colocou em risco a vida dos trabalhadores do estabelecimento, que se encontravam a dormir numa residência anexa, bem como dos guardas em serviço naquela noite.
“Estamos perante uma acção altamente perigosa, de perigo comum, configurando crimes ambientais, de dano e incêndio, que não podiam deixar de merecer a nossa intervenção”, sublinhou.
O porta-voz esclareceu que as detenções resultaram do cumprimento de mandados judiciais, emitidos após a abertura de um processo-crime, na sequência do incêndio.
Durante a operação, o SERNIC apreendeu três armas de fogo, sendo duas de defesa pessoal e uma caçadeira, além de diversos documentos e outros bens.
“O que nos chamou atenção é o facto de o cidadão chinês possuir cerca de oito licenças de porte e uso de armas. Estamos a trabalhar com as entidades competentes para aferir a legitimidade destas licenças”, referiu.
A corporação admite a possibilidade de os suspeitos estarem envolvidos em outras actividades criminosas, pelo que as investigações prosseguem com vista à neutralização dos restantes executores do crime.
Os dois arguidos encontram-se detidos e aguardam os trâmites legais, indiciados pelos crimes de danos, incêndio, associação criminosa e outros actos especialmente perigosos.
Entretanto, em declarações à imprensa, um dos detidos negou qualquer envolvimento no caso, afirmando desconhecer os motivos da sua detenção.
“Vim apenas para perguntar por que prenderam o meu amigo, e disseram-me que eu também tinha mandado. Não sei de nada”, declarou.
O arguido afirmou ainda que as armas apreendidas pertencem a uma empresa de segurança da qual é sócio, garantindo que não existe qualquer ilegalidade.
“Temos uma empresa de segurança. As armas são da empresa. Não tem nada de ilegal”, disse.
Sobre a acusação de incêndio para eliminação da concorrência, limitou-se a responder: “Eu não sei. Não vi nenhum estabelecimento”.
Durante a operação, as autoridades apreenderam ainda uma quantia monetária avaliada em 930 mil meticais (cerca de 14,6 mil dólares), cuja proveniência está a ser investigada.
O SERNIC reafirma o seu compromisso no combate ao crime organizado e garante que continuará a trabalhar para garantir a segurança pública na capital do país.
(AIM)
SNN /sg
