Director-geral do Instituto Nacional de Normalização e Qualidade (INNOQ), Geraldo Albasini
Maputo, 13 Fev (AIM) – O director-geral do Instituto Nacional de Normalização e Qualidade (INNOQ), Geraldo Albasini, defendeu hoje (13), em Maputo, a necessidade de as Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME) integrarem as normas técnicas nos seus processos produtivos, como condição essencial para garantir qualidade, segurança e competitividade no mercado nacional e internacional.
“É necessário que os nossos agentes económicos percebam que a utilização de normas técnicas é a principal ferramenta para assegurar a qualidade dos nossos produtos”, afirmou, Albasini na abertura do seminário sobre infra-estruturas da qualidade ao serviço das MPMEs, realizado no âmbito do Programa de Parcerias de Normalização.
Segundo o dirigente, embora o uso de normas técnicas e a certificação tenham carácter voluntário, o INNOQ tem vindo a promover seminários e “workshops” com vista a sensibilizar as empresas sobre a importância de adoptarem boas práticas que garantam produtos e serviços seguros, que não prejudiquem a saúde pública nem o ambiente.
Albasini sublinhou que a fiscalização surge numa fase posterior, sendo prioritário, nesta etapa, orientar as empresas sobre “o que devem fazer e como devem fazer” para assegurar a conformidade com os requisitos estabelecidos.
O projecto, implementado em parceria com a British Standards Institution (BSI), já apoia directamente 15 pequenas empresas e beneficia indirectamente cerca de 100, maioritariamente ligadas ao sector agrário, com destaque para as cadeias da macadâmia e do caju.
“O nosso desejo é que possamos ter mil, duas mil ou mais empresas a beneficiarem desta iniciativa, para que coloquem os seus produtos nos mercados mais exigentes, de forma segura, e assegurem o crescimento”, referiu.
A fonte esclareceu que o projecto não disponibiliza financiamento directo às empresas, mas oferece capacitação e orientação técnica para que cumpram os requisitos necessários à exportação.
Acrescentou que a adopção de normas implica investimentos, nomeadamente na realização de ensaios laboratoriais e no cumprimento de parâmetros técnicos, defendendo por isso o reforço do associativismo entre as MPMEs como forma de diluir custos.
Por seu turno, a directora dos Serviços Centrais de Desenvolvimento e Produção do Instituto de Amêndoas de Moçambique (IAM), Galiza Macome, considerou que a infra-estrutura da qualidade constitui um dos “pilares silenciosos” mais determinantes para o desenvolvimento económico sustentável.
Segundo Macome, a adopção de mecanismos de qualidade reforça a confiança dos mercados, protege os consumidores, promove a inovação e reduz barreiras técnicas ao comércio, sobretudo em cadeias estratégicas como o caju e a macadâmia.
“Para as micro, pequenas e médias empresas, compreender e integrar os mecanismos de qualidade não é apenas uma exigência técnica, mas uma condição estratégica para crescer, competir e prosperar”, frisou.
A responsável destacou igualmente a importância da acreditação para o reconhecimento internacional das certificações emitidas em Moçambique, permitindo que os produtos nacionais sejam aceites além-fronteiras e integrados nas cadeias de valor regionais e globais.
Em representação do Reino Unido, Vânia Dava afirmou que o seu Governo financia o Programa de Parcerias de Normalização como forma de apoiar o crescimento económico sustentável e inclusivo em Moçambique.
“O programa foi concebido para desbloquear oportunidades económicas, fortalecendo a capacidade dos países em desenvolvimento de adoptar e cumprir normas internacionais que abrem portas para novos mercados e cadeias de valor globais”, explicou.
De acordo com Dava, a iniciativa visa permitir que as MPMEs cumpram requisitos nacionais, regionais e internacionais, reduzindo barreiras técnicas ao comércio e ampliando o acesso aos mercados, com particular enfoque no sector agro-alimentar.
Salientou ainda que o programa integra uma componente de inclusão de género, apoiando empresas lideradas por mulheres, o que contribui para um crescimento mais inclusivo e para a criação de emprego.
O seminário reuniu representantes do sector público e privado, associações empresariais e parceiros internacionais, com o objectivo de promover o diálogo, partilhar experiências e alinhar esforços para o fortalecimento do sistema nacional de infra-estrutura da qualidade e da competitividade das empresas moçambicanas.
(AIM)
SNN /sg
