Ministro da Saúde, Ussene Isse, no lançamento do projecto, do projecto de revitalização da manutenção de equipamentos médicos no Sistema Nacional de Saúde
Maputo, 16 Fev (AIM) – O Governo moçambicano lançou o projecto de revitalização da manutenção de equipamentos médicos no Sistema Nacional de Saúde (SNS), numa iniciativa que conta com o apoio do Governo do Japão, através da Agência Japonesa de Cooperação Internacional (JICA), e com a parceria do Hospital Nipo-Brasileiro, do Brasil.
“Quando dizemos que a manutenção salva vidas, é uma realidade. Sem equipamentos funcionais não há diagnóstico seguro, não há tratamento eficaz e podemos perder vidas”, afirmou esta segunda-feira (16), em Maputo, o Ministro da Saúde, Ussene Isse, durante do lançamento do projecto.
Considerou o momento como histórico para o sector, recordando que o país já dispôs de um serviço de manutenção robusto, cuja capacidade se foi degradando ao longo do tempo.
Segundo explicou, a iniciativa arranca com um projecto-piloto que abrange seis unidades sanitárias, sendo na província do Niassa em Lichinga e Cuamba, Cabo Delgado em Pemba, na província de Gaza, em Xai-Xai e Bilene e finalmente, na província de Maputo, no Hospital Central de Maputo, com a meta de expandir progressivamente a intervenção a todo o território nacional ainda este ano, incluindo o reforço da Central Nacional de Manutenção.
O governante sublinhou que a revitalização da manutenção enquadra-se nas orientações do Chefe de Estado, Daniel Chapo, que tem apelado à mobilização de recursos e ao estabelecimento de parcerias estratégicas para fortalecer o Sistema Nacional de Saúde.
Isse exortou os técnicos a priorizarem a inventariação rigorosa dos equipamentos e a implementação sistemática da manutenção preventiva e correctiva, defendendo maior valorização da capacidade nacional.
“Temos quadros formados e experientes. Estão criadas condições de trabalho. Agora precisamos de resultados, com redução do tempo de espera para reparações e mais equipamentos operacionais nas unidades sanitárias”, enfatizou.
O ministro reconheceu que, durante anos, o país recorreu a equipas e empresas externas para reparar equipamentos, com custos elevados, defendendo que o reforço da engenharia clínica interna permitirá maior autonomia e sustentabilidade.
Por seu turno, o superintendente-geral do Hospital Nipo-Brasileiro, Sérgio Okamoto, afirmou que o projecto representa mais do que uma cooperação técnica, pois simboliza um compromisso com sistemas de saúde mais resilientes, eficientes e sustentáveis.
Segundo Okamoto, a engenharia clínica constitui o “coração invisível” dos hospitais, garantindo que os equipamentos funcionem com segurança, precisão e fiabilidade.
“Investir na manutenção é investir directamente na qualidade da assistência, na redução de riscos e na protecção de vidas”, declarou.
Já o representante residente da JICA, Kazuki Otsuka, destacou que a gestão de equipamentos médicos continua a ser um desafio em vários sistemas de saúde, incluindo Moçambique, apontando constrangimentos como inventários desactualizados, escassez de peças de reposição, ausência de planos de manutenção preventiva e insuficiência de técnicos qualificados.
Para responder a esses desafios, a JICA propõe uma abordagem integrada baseada em cinco pilares, inventariação rigorosa, manutenção preventiva e correctiva programada, formação contínua de técnicos e utilizadores, sustentabilidade financeira.
Otsuka referiu ainda que cerca de 30 técnicos moçambicanos já beneficiaram de formação especializada no âmbito da cooperação com o Japão, desempenhando actualmente um papel central na manutenção de equipamentos médicos no país.
Durante a cerimónia, o Embaixador do Japão em Moçambique, Keiji Hamada, reiterou o compromisso do seu país em continuar a apoiar a formação de recursos humanos e o fortalecimento institucional no sector da saúde, destacando que a cooperação trilateral entre Japão, Brasil e Moçambique constitui uma oportunidade para partilha de conhecimentos e promoção do desenvolvimento sustentável.
Na ocasião, os representantes das unidades sanitárias contempladas nessa fase, receberam equipamentos informáticos e instrumentos de manutenção destinados a viabilizar a operacionalização do projecto nas unidades sanitárias abrangidas.
(AIM)
SNN /sg
