Ministro da Saúde, Ussene Isse. Foto de Carlos Júnior
Maputo, 11 Mar (AIM) – O financiamento de parceiros internacionais para a aquisição de medicamentos em Moçambique registou uma queda de 70,5 por cento em 2025, em comparação com 2024, revelou hoje, em Maputo, o ministro da Saúde, Ussene Isse.
Segundo o governante, em 2025, o sector da saúde recebeu do exterior cerca de 1.899.500 meticais (29,7 mil dólares, ao câmbio corrente) quando comparado com os 89.554 dólares injectados em 2024.
Em 2024 o sector da saúde recebeu do exterior cerca de 5.718.500 meticais (89.554 dólares, ao câmbio corrente) para a compra de medicamentos, valor que sofreu uma redução significativa no presente ano.
Isse falava durante o primeiro dia da sessão especial de “Perguntas ao Governo”, na Assembleia da República (AR), o parlamento moçambicano.
Em 2025, o financiamento total destinado à aquisição de medicamentos, proveniente do Orçamento do Estado (OE) e de doações, ascendeu a 20.293.600 meticais, contra 20.830.500 meticais registados em 2024.
“Como é que um Estado pode aguentar perante estes cortes tão brutos, tão rápidos”, questionou Isse, acrescentando que o Governo continua a reforçar o financiamento do sector através do Orçamento do Estado, embora reconheça que “a lacuna é grande”.
O ministro alertou ainda que a redução do financiamento externo agrava os desafios do sector, situação que se torna ainda mais preocupante devido ao roubo de medicamentos na cadeia de distribuição.
Entre 2022 e 2025, a Autoridade Nacional Reguladora de Medicamentos (ANARME) realizou 1.650 inspecções na cadeia logística e de distribuição de medicamentos, sendo 273 no sector público, 1.211 no sector privado e 166 em mercados informais e outros estabelecimentos.
No mesmo período, foram apreendidos medicamentos avaliados em mais de 150 milhões de meticais, além da detenção de 19 cidadãos, encerramento de estabelecimentos envolvidos em actividades ilícitas e instauração de processos disciplinares.
“Por isso, queria aproveitar este momento para alertar o povo moçambicano: vigilância. Mesmo que o Estado compre tudo o que é medicamento, se não controlarmos em conjunto esta parte do roubo, teremos sempre falta de tudo”, afirmou.
O governante apelou igualmente aos deputados da Assembleia da República para reforçarem a fiscalização com vista a combater o desvio de medicamentos.
Em relação a comportamentos desviantes no sector, Isse revelou que, de um total de 453 acusados, 60 funcionários foram expulsos, 48 demitidos, 42 despromovidos e 68 multados.
Além do desvio de medicamentos, os comportamentos considerados irregulares incluem cobranças ilícitas, mau atendimento e negligência profissional.
“Estamos comprometidos em combater estes comportamentos desviantes no sector da saúde”, concluiu.
A sessão de “Perguntas ao Governo” prossegue quinta-feira (12), segundo e último dia, quando o ministro poderá responder a perguntas de insistência dos deputados.
(AIM)
Ac/sg
