Ministro da Saúde, Ussene Isse (direita), recebe medicamentos doados pela Índia. Foto Ferhat Momad
Maputo, 23 Mar (AIM) – As autoridades moçambicanas afirmam que o país continua a receber medicamentos e que não há paralisação no abastecimento, contrariando percepções de uma suposta escassez generalizada no sistema nacional de saúde.
Falando à margem da cerimónia de recepção de medicamentos doados pela Índia, em Maputo, o Ministro da Saúde, Ussene Isse, afirmou que a referência a prazos de 12 a 18 meses no processo de aquisição não significava que o país ficará sem medicamentos durante esse período.
“O medicamento tem que ser produzido, inspeccionado, avaliado. Não pode simplesmente vir. São processos internacionais que têm que ser seguidos”, explicou.
O governante apontou a dependência externa como um dos principais desafios do sector, defendendo a necessidade de produção local.
“Se tivéssemos fábricas em Moçambique, não haveria este impasse. Temos apelado aos empresários para investirem na produção de medicamentos no país”, disse.
Ussene Isse destacou que algumas interpretações sobre o tempo de aquisição de medicamentos não reflectem o funcionamento real do sistema.
“Quando falamos do processo, não foi no sentido de ficarmos parados enquanto as pessoas morrem. É o ciclo, mas os medicamentos estão a chegar e estamos a trabalhar”, afirmou.
O ministro sublinhou que o país mantém estabilidade no fornecimento de medicamentos para doenças prioritárias, como malária, tuberculose e HIV/SIDA, graças ao apoio de parceiros internacionais.
“Do ponto de vista da malária, da tuberculose, do HIV, nós temos recebido medicamentos do Fundo Global, o país está estável, não tem problemas em relação a esta situação”, referiu.
Contudo, reconheceu limitações em algumas áreas específicas, que estão a ser geridas com base em critérios de prioridade.
“Estamos com alguma aflição com estes medicamentos, os antibióticos, medicamentos para o cancro, para tratar a hipertensão, a diabetes. Tivemos restrições e estamos a gerir como gestores, preocupados com a saúde do povo”, explicou.
Segundo o governante, a prioridade tem sido assegurar atendimento em casos de emergência, evitando perdas de vidas por falta de assistência.
“Numa situação de crise, temos que garantir que não falhe nada na emergência, que ninguém morra por falta de medicamentos. Aqueles que precisam de uma intervenção rápida para salvar a vida entram imediatamente e são tratados”, afirmou.
O ministro reconheceu que esta estratégia impacta doentes em lista de espera, mas garantiu tratar-se de uma medida transitória.
“Os doentes que estão em lista de espera reclamam, é normal, mas tivemos que parar algumas campanhas para estabilizar o sistema. Quando estabilizarmos, vamos retomar as campanhas de cirurgias”, disse.
Na ocasião, Ussene Isse alertou para o aumento precoce de casos de gripe no país, sublinhando a necessidade de reforçar medidas de prevenção.
“Estamos a atravessar um momento de aumento de casos de gripe. Este ano começou mais cedo. Temos que reforçar medidas de higiene, usar máscara nos locais com muita gente e procurar rapidamente a Unidade Sanitária mais próxima ao primeiro sinal de sintomas respiratórios”, disse.
O ministro acrescentou que, embora a situação esteja sob controlo, a prevenção continua a ser fundamental, sobretudo para grupos mais vulneráveis.
“A situação está controlada, mas a prevenção é a maior arma que temos. As crianças e os idosos podem complicar-se com mais facilidade, por isso é importante redobrar cuidados”, referiu.
Apesar dos desafios, o ministro assegurou que o sistema de saúde está em funcionamento e que os esforços continuam para melhorar o abastecimento.
“Há dificuldades, há restrições, sim, reconhecemos, mas estamos a fazer tudo para garantir saúde para o povo moçambicano”, afirmou.
O ministro concluiu apelando à divulgação de informação correcta, destacando o papel da comunicação social.
“A informação é importante. Precisamos explicar às pessoas o que está a acontecer”, disse.
(AIM)
SNN/sg
