Maputo, 16 Mar (AIM) – O Governo de Moçambique lançou, esta segunda-feira (16), em Maputo, um tratamento inovador para o pé diabético, com o objectivo de reduzir amputações entre doentes com diabetes, uma das principais complicações da doença no país.
O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Ussene Isse, durante a abertura de uma formação sobre o uso do medicamento Heberprot-P, considerado uma inovação na gestão do pé diabético em Moçambique.
Falando durante o evento, o ministro explicou que o medicamento contém factores de crescimento epidérmico que aceleram a cicatrização das feridas, aumentando a probabilidade de recuperação sem necessidade de amputação.
“Vamos iniciar uma pesquisa operacional com a introdução deste medicamento no nosso país, para avaliar a redução do número de amputações”, afirmou, acrescentando que experiências internacionais indicam taxas de cura de cerca de 70 por cento.
O governante destacou que a diabetes constitui um dos grandes desafios do sistema nacional de saúde.
“Cerca de 3 milhões de moçambicanos vivem com diabetes”, afirmou, lembrando que a doença não controlada pode provocar complicações cardiovasculares, neurológicas, oculares e, em particular, nos membros inferiores.
“O pé diabético é uma das principais causas de amputação não traumática na República de Moçambique. No Hospital Central de Maputo, realizamos diariamente entre seis e sete amputações devido a complicações do pé diabético”, disse.
Isse sublinhou ainda o impacto profundo das amputações na vida dos pacientes, referindo que a perda de um membro inferior acarreta consequências psicológicas, sociais e económicas significativas.
“É um desafio diário que enfrentamos nos hospitais, e muitas vezes não conseguimos evitar a amputação”, destacou, acrescentando que o novo medicamento traz esperança para inverter este cenário.
O ministro agradeceu o apoio da missão médica cubana em Moçambique, em particular da Clínica Marcelino dos Santos, que colaborou com o Ministério da Saúde e o Hospital Central de Maputo na implementação da formação.
“Buscar parcerias público-privadas é essencial para fortalecer o Sistema Nacional de Saúde. Este é mais um ganho para o país”, afirmou.
Isse lembrou ainda que o sistema nacional de saúde enfrenta dois grandes desafios: a transição demográfica, marcada pelo crescimento populacional e aumento da esperança de vida, e a transição epidemiológica, caracterizada pela expansão das doenças crónicas não transmissíveis, como diabetes, hipertensão e cancro.
“Com este tratamento, queremos salvar mais vidas, reduzir amputações e garantir moçambicanos mais saudáveis”, concluiu.
A cerimónia contou com a presença de cirurgiões, médicos residentes, técnicos do sistema nacional de saúde e parceiros internacionais.
(AIM)
SNN /sg
