Porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa. Foto arquivo
Maputo, 31 Mar (AIM) – O Governo moçambicano afirma que está a analisar o mais recente relatório do Banco Mundial sobre a economia do país, antes de emitir um posicionamento oficial sobre as conclusões apresentadas.
O referido relatório, “Mozambique Economic Update. From Fragility to Stability” 2026, publicado no mês corrente, indica que a pobreza e a desigualdade em Moçambique atingiram níveis alarmantes.
A posição foi expressa hoje, em Maputo, pelo ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa, minutos após o término da 9.ª sessão ordinária do Conselho de Ministros.
“O Banco Mundial, um parceiro independente, tem os seus critérios; o que se está a fazer agora é recolher a informação e analisá-la face aos critérios nacionais, para depois o país se pronunciar, se tiver de se pronunciar, sobre essa matéria”, disse.
Segundo o documento, cerca de 81 por cento da população vive com menos de três dólares por dia,, colocando o país entre os mais pobres do mundo.
O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade, situa-se em 50, posicionando Moçambique entre os dez países mais desiguais.
De acordo com o Banco Mundial, o período entre 2016 e 2025 representa uma década perdida em termos de bem-estar, com o Produto Interno Bruto (PIB) per capita a registar uma queda de cerca de oito por cento entre 2015 e 2024.
As projecções indicam ainda que o PIB per capita deverá permanecer abaixo dos níveis de 2015 até, pelo menos, 2028.
Impissa reiterou que o Governo respeita a análise da instituição, mas sublinha a necessidade de avaliar os dados à luz dos instrumentos nacionais.
O Ministério da Planificação e Desenvolvimento considera que os critérios utilizados pelo Banco Mundial diferem dos do Inquérito ao Orçamento Familiar (IOF), instrumento interno que avalia as condições de vida dos agregados familiares com base em dados de receitas e despesas.
Moçambique realizou até ao momento cinco inquéritos do IOF, tendo o mais recente sido divulgado em 2022, cujos resultados apresentam diferenças em relação às estimativas internacionais, devido à metodologia e indicadores utilizados.
O governante revelou ainda que o programa de reestruturação económica e social do país, recomendado pelo Banco Mundial, se encontra na fase final de elaboração.
“Há também uma janela aberta com o FMI para realizar o mesmo exercício, na perspectiva de promover o crescimento da economia moçambicana em benefício dos cidadãos”, concluiu.
(AIM)
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