Jornalistas no exercício da sua actividade. Foto de Carlos Júnior
Maputo, 11 Abr (AIM) – O Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ) propõe a criação de um centro de estágio para estudantes finalistas, com o objectivo de melhorar a preparação prática e combater a exploração nos órgãos de comunicação social.
A proposta foi apresentada pelo secretário do SNJ na cidade de Maputo, Jeremias Mondlane, por ocasião das celebrações do Dia do Jornalista Moçambicano.
Segundo Mondlane, vários órgãos de comunicação social recorrem a estagiários para produção de conteúdos, muitas vezes sem a devida orientação, o que compromete a qualidade do trabalho.
“Usam os estagiários para fazer notícias, e muitas vezes essas notícias são mal feitas. Por isso, pretendemos criar um centro de estágio onde possamos enquadrar estudantes finalistas, com apoio de instituições parceiras”, afirmou.
O dirigente indicou que o SNJ está a equacionar parcerias com entidades como a Embaixada dos Estados Unidos da América, Ucrânia e Itália, com vista ao financiamento da iniciativa.
Explicou que esta proposta foi igualmente apresentada ao presidente do Conselho Municipal da cidade de Maputo, Rasaque Manhique, durante um encontro recente.
Para além da criação do centro, o SNJ enfrenta desafios relacionados com a falta de instalações próprias para o seu funcionamento.
“O município recomendou que a sua equipa técnica realize um estudo de caso no prazo de 30 dias”, referiu.
No âmbito das celebrações do Dia do Jornalista Moçambicano, o SNJ promoveu debates radiofónicos e televisivos sobre a liberdade de imprensa e a necessidade de regulamentação da lei vigente.
Mondlane defendeu ainda a criação de um memorando de entendimento com o município de Maputo para facilitar a cobertura das actividades da edilidade.
Relativamente às condições de trabalho no sector, o responsável manifestou preocupação com a precariedade laboral, marcada pela ausência de contratos formais e pelo pagamento por peça.
Segundo explicou, a regulamentação da nova lei de imprensa deverá envolver entidades como o Conselho Superior de Comunicação Social, o Capítulo Mocambicano do Media Institute of Southern Africa e o próprio SNJ.
“O cerne da questão é que muitos órgãos privados alegam falta de recursos e optam pelo pagamento por peça, em vez de salários mensais. Precisamos ultrapassar este modelo”, afirmou.
Mondlane considerou que os órgãos com capacidade financeira devem garantir salários regulares e respeitar os direitos laborais.
Lamentou ainda que algumas instituições se recusem a registar formalmente os seus profissionais.
“Há órgãos que evitam registar jornalistas para fugir ao pagamento de salários condignos”, disse.
O dirigente reiterou o apelo para o fim de práticas de exploração de recém-formados.
(AIM)
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