Maputo, 12 Mai (AIM) – As pragas agrícolas continuam a registar uma tendência de agravamento em Moçambique, com destaque para o aumento da área afectada pela lagarta do funil e o crescimento expressivo do número de famílias atingidas pelo gafanhoto elegante na campanha agrícola 2025/26.
O alerta foi feito esta terça-feira (12), em Maputo, pelo secretário de Estado da Terra e Ambiente, Gustavo Dgedge, em representação do ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, na abertura da Reunião Nacional de Sanidade Vegetal e celebração do Dia Internacional da Sanidade Vegetal.
“Na campanha 2025/26, a lagarta do funil afectou 58.101 hectares, contra 54.660 hectares na campanha 2024/25, representando um aumento de 6,3 por cento”, disse.
Segundo a fonte, o gafanhoto elegante registou uma redução da área infestada, mas o número de famílias afectadas aumentou de 7.549 para 16.359, o equivalente a um crescimento de 116,7 por cento.
Na ocasião, o governante destacou que os números reflectem a pressão crescente sobre o sector agrícola, num contexto marcado por mudanças climáticas e expansão do comércio internacional.
“Tanto a nossa saúde como a do nosso planeta dependem das plantas”, afirmou.
Sublinhou que “até 40 por cento das culturas alimentares são perdidas todos os anos devido a pragas e doenças das plantas”.
Dgedge alertou ainda que a mobilidade humana e o aumento do comércio internacional têm contribuído para a disseminação de pragas em diferentes regiões do país.
“Viagens e comércio internacionais, que triplicaram em volume na última década, estão a fazer com que pragas e doenças apareçam em locais onde nunca tinham sido vistas antes”, anunciou.
A mesma fonte estatal referiu que Moçambique continua particularmente vulnerável devido à forte dependência da agricultura para a subsistência da maioria da população, o que torna o sector mais exposto a choques fitossanitários.
Entre outras ameaças, destacou a traça do tomateiro e o Vírus do Topo em Leque da Bananeira, que continuam a causar perdas na produção.
No caso da bananeira, foram afectados 1.191 hectares na campanha 2024/25, dos quais 1.011 hectares foram controlados, resultando num índice de perda de 2,8 por cento.
Segundo o governante, estes resultados demonstram capacidade de resposta das autoridades fitossanitárias, embora os desafios persistam.
A Reunião Nacional de Sanidade Vegetal reúne instituições públicas, parceiros de cooperação, academia e sector privado, com o objectivo de avaliar a situação actual e reforçar estratégias de prevenção e combate às pragas.
O Governo defende que o reforço da sanidade vegetal é determinante para a protecção da produção agrícola, aumento da produtividade e garantia de acesso aos mercados.
(AIM)
SNN/mz
