Maputo, 10 de Set (AIM) — A Frelimo, partido no poder em Mocambique, abriu oficialmente a corrida pelo poder interno que deverá redefinir os equilíbrios de forças no partido até 2027, ano do Congresso.
Com o 13.º Congresso marcado para 20 a 25 de Julho de 2027, em Nampula, a organização já colocou em marcha a máquina de preparação do encontro, mobilizando as estruturas partidárias em todo o país e desencadeando a disputa pela composição dos órgãos e pela escolha dos delegados.
A decisão da Comissão Política representa o primeiro grande movimento de um processo que promete testar alianças, medir influências e expor a capacidade de mobilização das diferentes correntes dentro da FRELIMO.
Para conduzir a preparação do Congresso, foi criado o Gabinete Central de Preparação, sob liderança do Secretário-Geral, Chakil Aboobacar. Ao mesmo tempo, o partido aprovou os calendários eleitorais para a renovação dos seus órgãos e para a eleição dos delegados ao Congresso, apontados como peças fundamentais para determinar quem chegará a Nampula com maior peso político.
A estrutura montada para preparar o Congresso foi repartida por seis áreas estratégicas, colocando figuras de relevo do partido à frente das principais operações.
O Gabinete Central será dirigido por Chakil Aboobacar, enquanto a área de Actividade Interna e Formação ficará sob responsabilidade de Verónica Nataniel Macamo, tendo como chefes-adjuntos Amélia Tomás Muendane, João Muchine Mudema e Celmira da Silva.
Na frente de Mobilização, Comunicação e Imagem estará Margarida Talapa, coadjuvada por Celso Correia, Pedro Guiliche e Feliz Silvia.
A área de Finanças e Logística, crucial para a execução de toda a operação congressual, será dirigida por Filipe Paunde, com Aires Ali, Sónia Macuvel e Benvinda Levy como chefes-adjuntos.
A responsabilidade pela Documentação caberá a Eneas Comiche, coadjuvado por Francisco Mucanheia e Nelson Muianga.
Já as Relações Exteriores e Protocolo ficarão sob comando de Alcinda António de Abreu, tendo como adjuntas Nyelete Mondlane e Ludmila Maguni.
A delicada área de Verificação e Análise de Candidaturas será dirigida por Ana Comoana, com Esperança Bias e Iasalde Ussene como chefes-adjuntos.
A distribuição dos cargos coloca figuras com diferentes experiências e redes de influência no centro da engrenagem que conduzirá o partido até ao Congresso de Nampula.
Entre 16 e 21 de Setembro, brigadas centrais de assistência deverão deslocar-se às províncias e à capital para formalizar os gabinetes locais de preparação. É nessas estruturas que começará a ganhar forma a mobilização que poderá determinar a composição dos órgãos partidários e a escolha dos delegados ao Congresso.
Na cidade de Maputo, o processo já entrou numa fase particularmente intensa. A revitalização das estruturas locais avança com prazos definidos para a apresentação de candidaturas ao cargo de Primeiro Secretário Distrital, cuja entrega está prevista para decorrer entre 7 e 12 de Setembro.
Para assegurar a condução interina do processo, João Muchine Mudema foi indicado para assumir as funções de Primeiro Secretário.
Com as regras do processo definidas e a máquina partidária já em movimento, a FRELIMO entra numa etapa que poderá ser decisiva para o futuro da organização.
A escolha dos delegados, a eleição dos órgãos e a capacidade de cada grupo mobilizar as bases serão determinantes para estabelecer os equilíbrios que chegarão ao 13.º Congresso.
Embora o encontro esteja marcado apenas para Julho de 2027, a disputa começa muito antes. É nas estruturas locais, nos processos eleitorais internos e na composição dos delegados que se começará a desenhar o mapa de poder que poderá chegar a Nampula.
O Congresso poderá, assim, transformar-se no ponto culminante de uma batalha interna cuja primeira fase já está em curso: a conquista de influência dentro da própria FRELIMO.
(AIM)
