Maputo, 12 Set (AIM) – A Secretária Permanente do Ministério das Comunicações e Transformação Digital, Nilza Miquidade, defendeu hoje, em Maputo, a necessidade de os governos locais, agências e organizações de apoio humanitário reforçarem a resiliência urbana das cidades e distritos, através do reforço de diques e do mapeamento das zonas de risco, antes do início da época chuvosa 2026/2027.
Entre as medidas a adoptar face à previsão de ocorrência de chuvas intensas e ciclones, Miquidade apontou a criação de equipas de resgate, preparação de abrigos temporários e disponibilização antecipada de medicamentos e mantimentos.
“Sobre a saúde pública e a prevenção de epidemias, permite-se a antecipação do diagnóstico para as épocas húmidas e quentes, reforçando o combate ao mosquito, causador da malária, ao vibrião colérico, responsável pela cólera, entre outras doenças para as quais se prevê uma ocorrência sazonal”, disse.
Miquidade destacou igualmente a necessidade de uma gestão antecipada da segurança alimentar, defendendo que os governos e organizações humanitárias devem preparar-se para eventuais quebras de colheitas, gerir de forma racional os stocks existentes e importar alimentos com antecedência, de modo a evitar crises de fome.
“A previsão sazonal é uma ferramenta fundamental para antecipar soluções face a fenómenos climáticos, como secas ou chuvas acima da média, com meses de antecedência, permitindo passar de uma gestão de resposta à crise para uma gestão proactiva do risco”, explicou.
Sublinhou que, perante o aumento da vulnerabilidade global às mudanças climáticas, a previsão sazonal contribui para melhorar o planeamento em áreas como a segurança alimentar, selecção de insumos, sementes e fertilizantes resistentes à seca, bem como para a definição do período ideal para a sementeira.
Acrescentou que a gestão eficiente dos recursos hídricos permite ajustar os níveis de armazenamento de água nas albufeiras, contribuindo para garantir o abastecimento de água potável e a produção de energia eléctrica durante os períodos de seca.
Miquidade falava durante a abertura do XIII Fórum Nacional de Antevisão Climática (FNAC XIII), que decorre em Maputo com o objectivo de divulgar a previsão climática para 2026/2027 e os cenários previstos para sectores como agricultura, saúde pública, estradas, energia e gestão de riscos de desastres.
Acções antecipadas
A substituta do Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, Anabela Inguane, afirmou que o encontro decorre numa altura em que as mudanças climáticas e os eventos extremos constituem um desafio à segurança das comunidades.
“Maputo conhece esta realidade. As inundações e os eventos extremos continuam a afectar famílias, vias de acesso e meios de subsistência. Precisamos de acções antecipadas, antes dos riscos, para agir antes que os impactos aconteçam”, disse.
Por seu turno, a representante do Programa Mundial de Alimentação (PMA), Margherite Coio, garantiu que a organização continuará a trabalhar em coordenação com o Governo.
“O PMA reconhece os avanços significativos que Moçambique tem alcançado no fortalecimento dos sistemas de aviso prévio e na integração da informação climática no processo de tomada de decisões”, afirmou.
Já o Director-Geral do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), Adérito Aramuge, explicou que o encontro pretende promover uma reflexão sobre os cenários climáticos que se avizinham.
“É uma grande responsabilidade, hoje, num momento de mudanças climáticas, para o INAM, através da informação hidrometeorológica, que é essencial para a planificação”, disse.
Aramuge referiu que existe uma enorme responsabilidade de produzir e disponibilizar informação de qualidade que contribua para uma planificação efectiva nos diferentes sectores de actividade.
(AIM)
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