Lisboa, 12 Out (AIM)- Os portugueses foram este domingo (12) às urnas para eleições autárquicas, numa altura em que o discurso “tóxico” dos partidos da extrema-direita anti-imigrante, em particular do Chega de André Ventura, continua a contaminar o clima político e social em Portugal e na Europa em geral.
O Chega é um partido xenófobo, racista e populista e está em segundo lugar na Assembleia da República (AR), o parlamento português, depois da coligação governamental AD (PSD/CDS-PP).
Com efeito, 800 candidaturas disputam o poder local. Até às 16h00 locais (17h00 em Maputo) deste domingo eleitoral, a afluência às urnas foi de 43,2 por cento, segundo os dados da Comissão Nacional de Eleições (CNE).
A anterior actualização da afluência às urnas situou-se nos 21,72 por cento até às 12h00 locais (13h00 em Maputo), segundo dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna (MAI), um valor superior ao registado à mesma hora nas eleições autárquicas de 2021.
Tendo em conta os números divulgados pelo MAI, mais de dois milhões de pessoas já exerceram o seu direito de voto, ou seja, mais do que um em cada cinco eleitores já votou, avança a imprensa lisboeta.
Comparado com as últimas eleições autárquicas, que se realizaram a 26 de setembro de 2021, a afluência às urnas subiu. Há quatro anos, até à mesma hora, tinham votado 20,94 por cento dos eleitores. No entanto, nas autárquicas de 2017 a afluência até às 12h00 locais tinha sido mais alta, situando-se em 22,05 por cento.
As urnas abriram às 08h00 locais e estiveram abertas até às 19h00 locais (20h00 em Maputo). Nos Açores, Região Autónoma, abrem e fecham 60 minutos depois das mesas do continente e da Madeira, devido à diferença horária de menos uma hora.
Existem 308 municípios em Portugal. Destes, 278 situam-se em Portugal continental, 11 na Região Autónoma da Madeira e 19 na Região Autónoma dos Açores.
Mais de 9,3 milhões de eleitores foram recenseados para as autárquicas deste ano, de acordo com dados do Ministério da Administração Interna (MAI). Mais de 41 mil são cidadãos estrangeiros recenseados em Portugal.
Marcelo Rebelo de Susa apela ao voto
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, apelou este domingo em Celorico de Bastos, no distrito de Braga, no Norte de Portugal, ao voto dos portugueses, alertando para o risco de desperdício dos fundos europeus do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que em parte “é gasto através das autarquias” para financiar as obras locais.
“Ou damos o salto com este dinheiro, porque são muitos milhares de milhões de euros ou é uma operação desperdiçada”, alertou o presidente da República.
Disse ainda, depois de ter votado, que não está preocupado com a abstenção porque a campanha foi “muito mexida e participada”, não vendo razões para, nomeadamente os jovens, não irem votar.
“Foi uma campanha muito, muito mexida, muito participada, com debates, e mesmo a nível local, e com o interesse da gente nova. A grande dúvida era saber se os jovens se interessavam ou não. Ora, os jovens, nas últimas eleições Legislativas mostraram uma participação crescente. Não há razão para, a nível local, que quem conhece muito melhor os candidatos e estão mais próximos, não haver um aumento também de participação”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, citado pela RTP.
Questionado sobre a data prevista para as eleições presidenciais, o chefe de Estado disse que a data mais provável é 18 de Janeiro (2026). “Já disse que a minha inclinação é tendencialmente para o dia 18 de Janeiro, mas estamos ainda longe, ainda estamos no dia do voto”, afirmou.
(AIM)
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