Instalação de uma Sala de Operações de Emergência na Presidência da República
Maputo, 22 Jan (AIM). O Presidente da República, Daniel Chapo, apela aos fornecedores de produtos de primeira necessidade a reforçarem o abastecimento na província de Gaza, sul de Moçambique, para travar a especulação de preços provocada pelas cheias e inundações.
Falando hoje em Maputo, minutos após a instalação de uma Sala de Operações de Emergência na Presidência da República, Chapo instou os fornecedores da região centro do país a disponibilizarem alimentos para Gaza, particularmente para os municípios de Xai-Xai e Chibuto, com vista à estabilização dos preços.
A especulação de preços verifica-se num contexto em que várias zonas da província de Gaza ficaram submersas em consequência das cheias e inundações, incluindo a cidade de Xai-Xai, capital provincial, o município de Chókwè, bem como outros distritos, situação que condiciona a circulação de pessoas e mercadorias e reduziu a oferta de produtos no mercado.
O Chefe do Estado apontou os fornecedores que operam nas províncias de Sofala e Manica como estando mais próximos da província de Gaza.
Como forma de facilitar o transporte de mercadorias, Chapo instruiu o ministro da Economia, Basílio Monteiro, e o secretário de Estado do Comércio, António Grispos, a melhorarem a coordenação entre os vários sectores e fornecedores.
“Os dois [dirigentes devem] encontrar uma forma para que os fornecedores, ou os dealers desses produtos de primeira necessidade, como arroz, feijão, farinha, óleo [alimentar] e outros produtos, a cesta básica, aumentarem a oferta nesses locais”, disse.
“É a única forma de estabilizar os preços”, explicou.
Num outro desenvolvimento, o Chefe do Estado realçou a necessidade de a assistência humanitária também prover produtos destinados às crianças.
“Nós estamos a virar muitas atenções para adultos, mas os centros estão cheios de crianças e até bebês”, disse, advertindo que as crianças, por exemplo, não deveriam beber água de qualquer fonte.
Chapo referiu que as crianças são mais sensíveis e, por isso, recomendou que se preste uma atenção particular aos bebés que se encontram nos centros de acolhimento existentes nas províncias mais afectadas pelas inundações.
“É preciso vermos a questão do leite, a questão da água, coisas mesmo delicadas à saúde da criança”, disse, reconhecendo de seguida o esforço desenvolvido pelo pessoal do sector da saúde nos centros de acolhimento.
Por seu turno, o ministro na Presidência para os Assuntos da Casa Civil, Ricardo Sengo, sugeriu a cabotagem como alternativa para abastecer a província de Gaza a partir de Maputo.
“Aproveitando a infraestrutura [terminal portuário de Chongoene, em Gaza] que está lá neste momento e que me parece operacional, da empresa que está a explorar as areias pesadas [de Chibuto]”, disse.
A mercadoria a ser transportada por via marítima será conservada no armazém regional do distrito de Chongoene, instalado recentemente para assistir o actual cenário das inundações, facto que, acrescentou Sengo, vai equilibrar a capacidade de resposta proveniente das províncias do centro do país.
Dados mais recentes do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco e Desastres indicam pelo menos dois óbitos, um ferido e um total de 79.738 pessoas afectadas entre 10 de Dezembro de 2025 e o último domingo (18), em resultado das cheias e inundações registadas nas províncias de Gaza e Maputo.
(AIM)
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