Secretária executiva do Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN), Judite Mussácula
Maputo, 13 Fev (AIM) – As províncias de Nampula e Cabo Delgado, no norte de Moçambique, Zambézia, Sofala e Manica no centro, continuam a registar níveis elevados de insegurança alimentar e nutricional, algo que preocupa sobremaneira o governo.
Mais de 40 por cento da população em Nampula e Zambézia, as províncias mais populosas do país, sofrem de insegurança alimentar e nutricional, enquanto Cabo Delgado, Sofala e Manica apresentam níveis na ordem dos 30 por cento.
A percentagem recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de igual ou inferior a 20 por cento.
Os dados foram avançados pela secretária executiva do Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN), Judite Mussácula, que falava à jornalistas minutos após o encerramento da 7ª sessão ordinária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSAN), realizada hoje (13) em Maputo.
“As províncias que têm menos de 20 por cento são as províncias do sul [de Moçambique]”, disse.
Mussácula sublinhou a necessidade de manter vigilância, tendo em conta que as chuvas intensas e os ciclones que têm afectado o país podem agravar a situação.
“Não podemos deixar de ficar preocupados quando estamos numa zona de grandes riscos, como ciclones, secas, inundações, e estes [fenómenos] não ajudam muito porque a população produz a comida, mas fica destruída”, afirmou.
“Nós”, continuou, “vamos continuar a melhorar a nossa doação, vamos continuar a prestar apoio, vamos continuar a recolher os dados”.
Entre as recomendações, destacou a importância de promover bons hábitos alimentares e melhorar a comunicação sobre o aproveitamento dos alimentos disponíveis.
“Aquilo que nós produzimos, uma batata, um feijão, é preciso sabermos como fazer as misturas para o alimento no dia-a-dia das nossas crianças e, a partir da mãe também, em momento de gravidez precisa de ter uma boa alimentação, precisa de comer ovo, precisa de ter boa papa, com aquelas misturas locais com moringa, com amendoim, com coco”, afirmou.
Segundo Mussácula, o Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos tem vindo a melhorar os sistemas de abastecimento de água nas comunidades, incluindo a distribuição de água potável por carros cisterna e o reforço das infra-estruturas de saneamento.
“Conseguimos declarar algumas comunidades livres do fecalismo a céu aberto; então são várias as situações que temos que continuar a trabalhar, porque só eliminando, num conjunto, resolvemos esta situação [de insegurança alimentar e nutricional]”, concluiu.
(AIM)
Ac/ sg
