Doente de cólera. Foto arquivo
Maputo, 17 Fev (AIM) – Moçambique enfrenta actualmente uma epidemia de cólera, com 5.661 casos cumulativos e 71 óbitos registados desde 3 de Outubro de 2025 a esta parte, anunciou hoje o director nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes.
“O nosso país está, neste momento, a registar uma epidemia de cólera. Temos 22 distritos a reportar casos, nomeadamente em Cabo Delgado, Nampula, Zambézia, Tete, Manica, Gaza e na cidade de Maputo, na Catembe”, afirmou esta quinta-feira (19), em Maputo, durante uma conferência de imprensa sobre a situação epidemiológica do país.
Segundo os dados apresentados, Nampula e Tete concentram 81 por cento do total de casos notificados, com 2.445 casos em Nampula (43 por cento) e 2.141 em Tete (38 por cento).
Fernandes detalhou ainda a situação dos óbitos, explicando que:“Do total de 71 óbitos, 52 ocorreram nas comunidades e 19 nas unidades sanitárias ou centros de tratamento de cólera. A taxa de letalidade geral situa-se em 1,3 por cento, enquanto a taxa de letalidade intra-hospitalar é de 0,4 por cento.”
Casos confirmados laboratorialmente foram igualmente identificados em Chicumbane, na província de Gaza, e no distrito municipal da Ka Tembe, na cidade de Maputo, pouco mais de um mês após as chuvas torrenciais registadas no país.
“Ambos os pacientes evoluíram satisfatoriamente e tiveram alta”, referiu.
No âmbito da resposta, o sector da saúde realizou uma campanha de vacinação contra a cólera em cinco pontos do país, nomeadamente no distrito do Lago, em Niassa; Pemba e Metuge, em Cabo Delgado; Quelimane, na Zambézia; e Beira, na província de Sofala, entre os dias 4 e 8 do corrente mês.
“No total, foram vacinadas 1.790.410 pessoas, correspondendo a uma cobertura de 102 por cento do grupo-alvo definido. A segunda dose será administrada após a conclusão dos preparativos em curso”, disse.
Face à elevada incidência nas províncias de Nampula e Tete, o Ministério da Saúde mobilizou vacinas para uma campanha reactiva nos distritos de Nacala-Porto, Eráti e Nampula, bem como na cidade de Tete e em Moatize, sem, contudo, avançar a data.
Questionado sobre a disponibilidade de material médico, afirmou “o sector dispõe de testes rápidos, insumos laboratoriais e medicamentos suficientes para tratar os casos em qualquer parte do país. Equipas multidisciplinares continuam destacadas para apoiar as províncias mais afectadas.”
(AIM)
SNN/sg
