Vitimas das cheias acolhidas no centro de acolhimento em Moamba. Foto de Carlos Júnior
Maputo, 11 Mar (AIM) – Os donativos mobilizados para apoiar as vítimas das cheias que, em Janeiro e Fevereiro últimos, fustigaram várias províncias moçambicanas atingem cerca de 4,3 mil milhões de meticais (cerca de 67,3 milhões de dólares), anunciou hoje, em Maputo, o ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa.
Trata-se de doações nacionais e internacionais que incluem alimentos, vestuário, material de abrigo e valores monetários.
Impissa disse que do montante referido cerca de 1,3 mil milhões correspondem a contribuições monetárias, que estão a ser utilizados para reforçar a aquisição de bens alimentares e não alimentares destinados à assistência às populações afectadas.
Impissa falava hoje em Maputo durante a sessão especial de “Perguntas ao Governo”, realizada na Assembleia da República (AR), o parlamento moçambicano.
“Estas contribuições simbolizam o compromisso das instituições do Estado com a protecção e o bem-estar do povo moçambicano e constituem um exemplo de responsabilidade social e compromisso com causas humanitárias, especialmente em momentos de adversidade”, disse.
Impissa destacou ainda a doação monetária da Assembleia da República, avaliada em 2.709.121 meticais, valor resultante do desconto de dois dias de salário dos 250 deputados que compõem o parlamento, gesto que, segundo afirmou, reforçou a capacidade de resposta do país perante desastres naturais.
Para as operações de monitoria e resgate durante as inundações, o governo mobilizou 68 embarcações, quatro aeronaves, 10 helicópteros, 14 drones e 25 antenas satélites para transmissão de dados, bem como equipas de protecção civil e das Forças de Defesa e Segurança, incluindo efectivos estrangeiros, num total de 351 militares e nadadores-salvadores voluntários.
Desde o início da época chuvosa e ciclónica, em Outubro último, até ao início de Março corrente, as cheias, associadas também ao ciclone Gezani, provocaram 258 mortos, 331 feridos e 12 desaparecidos.
As autoridades registaram igualmente 869.031 pessoas afectadas, das quais 113.478 encontram-se deslocadas e necessitam de assistência humanitária, sobretudo no acesso à água potável, segurança alimentar, serviços de saúde e protecção social.
Entretanto, para minimizar o impacto das cheias, o Executivo necessita de investir cerca de 349,4 mil milhões de meticais para repor e modernizar a rede de estações hidroclimatológicas existentes no país.
Actualmente, Moçambique dispõe de 70 estações hidroclimatológicas.
Segundo Impissa, o investimento visa converter estas estações em sistemas automáticos com transmissão de dados em tempo real, o que permitirá reforçar o sistema de aviso prévio e melhorar a capacidade de resposta às calamidades naturais.
A época chuvosa e ciclónica termina em Abril próximo.
(AIM)
Ac/sg
