Director-geral do Instituto de Cereais de Moçambique, Luís Job Fazenda (direita) e Presidente do Conselho de Administração da Rádio Moçambique, Mário Albino assinam memorando de cooperação
Maputo (Moçambique), 24 Mar (AIM) – Os produtores agrícolas moçambicanos passam a contar com informação regular sobre preços de mercado, graças a um acordo entre o Instituto de Cereais de Moçambique e a Rádio Moçambique, uma iniciativa do Governo que visa reforçar o poder de negociação dos agricultores, sobretudo nas zonas rurais, e reduzir práticas de compra a preços considerados injustos.
O memorando prevê a divulgação sistemática de dados sobre a comercialização de produtos agrícolas, com destaque para os preços de referência praticados no mercado nacional, permitindo aos produtores uma melhor gestão da produção e maior capacidade de negociação.
Falando na cerimónia de assinatura, o presidente do Conselho de Administração da Rádio Moçambique, Mário Albino, afirmou que o acordo reforça o papel do órgão público de radiodifusão na prestação de um serviço de interesse público.
“É uma honra assinar este primeiro memorando nesta casa, que reflecte a confiança existente entre as instituições”, afirmou.
Segundo explicou, a iniciativa visa contribuir para a educação do cidadão em matérias ligadas à produção e comercialização agrícola.
“Enquanto empresa pública, temos a missão de informar correctamente o cidadão e educar a população em boas práticas ligadas ao sector agrícola”, disse.
Albino sublinhou que, no âmbito do acordo, as duas instituições irão trabalhar em conjunto na disseminação de informação relevante para os produtores.
“Vamos informar o cidadão sobre a disponibilidade de mercadorias, produtos e serviços na praça, os melhores preços e a sua localização. Os nossos colaboradores vão colocar todo o seu saber e capacidade tecnológica para levar a cabo este exercício de informar e educar o cidadão”, destacou.
Por seu turno, o director-geral do Instituto de Cereais de Moçambique, Luís Fazenda, ressaltou o papel da rádio como meio privilegiado para alcançar as comunidades rurais.
“A Rádio chega onde mais ninguém chega, praticamente em todo o país”, afirmou.
Segundo Fazenda, o ICM tem como missão dinamizar a cadeia de comercialização de produtos agrários e, para cumprir esse objectivo, necessita de um canal eficaz de difusão de informação.
“O que se pretende é que, através da Rádio Moçambique, as informações sobre os preços de referência dos principais produtos comercializados no país cheguem aos produtores”, explicou.
O responsável destacou que o acesso à informação permitirá aos agricultores negociar melhor os seus produtos.
“Se o produtor conhece o valor real daquilo que produz, estará em melhores condições de negociar e poderá obter maior rendimento pelo esforço que realiza nas machambas”, disse.
Fazenda acrescentou que a iniciativa poderá contribuir para reduzir práticas de compra a preços injustos nas zonas rurais.
“Antes, alguns intervenientes chegavam às machambas e ditavam preços que não correspondiam ao esforço do produtor. Com acesso à informação, o agricultor passa a ter melhores condições de negociação”, afirmou.
À margem da cerimónia, o dirigente revelou que o país se prepara para o lançamento da campanha de comercialização agrícola, agendado para Abril, período em que se espera a entrada de novos volumes de cereais no mercado.
Apesar de algumas perdas agrícolas provocadas por cheias em determinadas regiões, o Governo está a adoptar medidas para garantir o abastecimento.
“No caso do arroz, que não produzimos em quantidade suficiente, já temos mecanismos de importação. Neste momento estão previstas cerca de 300 mil toneladas que deverão chegar entre Abril e Maio”, explicou.
Fazenda acrescentou que os excedentes das regiões norte e centro poderão ser canalizados para o sul do país, contribuindo para o equilíbrio da oferta alimentar.
Revelou ainda que o Instituto de Cereais de Moçambique está a trabalhar na reactivação de silos e armazéns de cereais em várias províncias, através de parcerias com o sector privado, com vista ao reforço da capacidade nacional de armazenamento.
(AIM)
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