Cheias 2026,. Foto arquivo de Ferhat Momade
Maputo (Moçambique), 24 Mar (AIM) – O Governo moçambicano estima em cerca de 1,6 mil milhões de dólares o custo do plano de recuperação e reconstrução pós-cheias que, desde Outubro de 2025, já afectaram mais de 1,3 milhões de pessoas e provocaram 298 mortes em todo o país.
O valor resulta dos danos acumulados ao longo da actual época chuvosa e ciclónica, que destruíram diversas infra-estruturas, incluindo estradas, unidades sanitárias, escolas e residências.
A informação foi avançada pelo porta-voz da 8ª sessão ordinária do Conselho de Ministros, Salim Valá, que falava no habitual briefing à imprensa, minutos após o término do encontro.
Segundo o governante, o Executivo definiu cinco prioridades para a recuperação, sendo as duas primeiras centradas no salvamento e assistência às populações, bem como na reposição de serviços essenciais e da transitabilidade.
“Ficaram três domínios, o primeiro tem a ver com reposição de infra-estruturas, [segundo] a recuperação económica e [terceiro] a criação de condições para garantir uma melhor capacidade de prevenção e de mitigação dos desastres naturais no nosso país”, afirmou.
Valá acrescentou que “as estimativas que nós temos actualmente é que o plano de recuperação e reconstrução, tendo em conta essas cinco prioridades, rondará, não é nada definitivo, cerca de 1,6 mil milhões de dólares”.
De acordo com o porta-voz, o Governo está a trabalhar com parceiros para a fase conclusiva de elaboração do plano, com enfoque numa recuperação resiliente e sustentável.
“O governo, com os seus parceiros, vão trabalhar para que este pacote de cinco prioridades para as várias fases, e não é só no curto prazo, porque nós pretendemos que a recuperação seja resiliente e que seja, inclusivamente, em termos de infra-estruturas”, disse.
Sobre a recorrência de eventos climáticos extremos no país, Valá assegurou que o investimento previsto deverá contribuir para tornar as infra-estruturas mais resistentes.
Revelou ainda que os danos provocados por cheias, ciclones e secas representam, em média, cerca de dois por cento do Produto Interno Bruto.
A actual época chuvosa e ciclónica, que termina em finais de Abril, tem sido marcada por chuvas intensas, superiores a 100 milímetros em 24 horas, acompanhadas de descargas atmosféricas, bem como pela passagem do ciclone Gezani, que afectou a província de Inhambane.
“Lamentamos o registo de 298 óbitos, 351 feridos e 17 desaparecidos”, disse, detalhando que 107 mortes resultaram de arrastamento pelas águas, 87 de descargas atmosféricas e as restantes de desabamento de paredes, queda de árvores e cólera.
(AIM)
Ac/sg
