Cudo uma especie da fauna bravia. Foto de Ferhat Momade.
Maputo, 10 Abr (AIM) – A caça desportiva está a afirmar-se como uma importante fonte de rendimento, emprego e inclusão económica nas zonas rurais de Moçambique, com impactos directos nas comunidades que vivem em áreas de conservação.
A posição foi defendida hoje, em Maputo, pelo Secretário Permanente do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP), Acubar Baptista, na abertura da Reunião Anual da Caça Desportiva 2026.
Segundo o responsável, que no apresentou dados numéricos, a actividade constitui um instrumento estratégico para combater a pobreza rural e promover o desenvolvimento local, desde que praticada de forma sustentável.
“A caça desportiva é chamada a desempenhar o papel vital de elemento de transformação, elevando o padrão de vida das comunidades, permitindo o acesso a benefícios tangíveis”, afirmou.
Baptista explicou que os ganhos provenientes da exploração sustentável da fauna bravia traduzem-se em mais oportunidades de rendimento, criação de emprego e maior inclusão económica, sobretudo para comunidades historicamente marginalizadas.
“As comunidades rurais que vivem nas zonas tampão enfrentam desafios complexos como o conflito homem-fauna bravia, a pobreza rural e a falta de inclusão nas oportunidades geradas pelas economias de vida selvagem”, disse.
Para o governante, a actual abordagem do Governo demonstra que é possível conciliar a conservação ambiental com o desenvolvimento económico inclusivo.
“A caça desportiva, quando praticada de forma ética, científica e regulamentada, não é antagónica à conservação. Pelo contrário, constitui um modelo de utilização sustentável, gerador de incentivos económicos”, sublinhou.
O responsável destacou ainda que o Executivo está a implementar reformas para garantir maior transparência, eficiência e impacto social na gestão da actividade cinegética, com enfoque na distribuição equitativa de benefícios.
Entre as medidas em curso, apontou a modernização do quadro legal, a digitalização dos processos administrativos e o reforço dos mecanismos de controlo financeiro, com vista a maximizar as receitas destinadas às comunidades.
Por sua vez, o Director-Geral da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), Pejul Calenga, destacou o papel central dos operadores privados na dinamização da economia local e no apoio directo às populações.
“Muitas vezes nos referimos aos nossos operadores como parceiros, mas é, na verdade, a força do sector privado que assegura não só a gestão da biodiversidade, mas também a materialização dos objectivos de desenvolvimento local”, afirmou.
Calenga acrescentou que os operadores têm contribuído para a criação de emprego, financiamento de iniciativas comunitárias e reforço da conservação, consolidando a ligação entre economia e sustentabilidade.
O dirigente sublinhou ainda que o sector atravessa uma fase de transformação orientada para resultados mais visíveis no terreno.
“Queremos garantir que aquilo que fazemos no dia-a-dia, durante a época venatória, se reflicta numa mudança real e transforme esta actividade num vector de crescimento com resultados tangíveis”, disse.
A reunião decorre sob o lema “Fortalecendo a Economia e a Vida Selvagem através da Inovação, Digitalização e Sustentabilidade em Benefício das Comunidades Locais”, reunindo operadores, decisores e parceiros para avaliar o desempenho do sector e traçar perspectivas.
Na ocasião, o Governo reiterou o compromisso de assegurar que a exploração sustentável dos recursos naturais continue a beneficiar directamente as comunidades, reforçando a caça desportiva como um pilar do desenvolvimento rural em Moçambique.
(AIM)
SNN/sg
