Maputo, 07 Mai (AIM) – Em Moçambique, cerca de 100 mil crianças menores de cinco anos necessitam de tratamento para desnutrição aguda grave no presente ano.
O facto ocorre num contexto de elevada vulnerabilidade alimentar, choques climáticos recorrentes e défice de financiamento de programas de nutrição.
O alerta divulgado esta semana, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), indica que a desnutrição aguda continua a atingir níveis críticos, afectando cerca de 04 (quatro) por cento das crianças no país, incluindo casos graves que representam risco imediato de morte.
O cenário é agravado por eventos extremos como ciclones, cheias e secas, que reduzem o acesso das famílias a alimentos e serviços de saúde essenciais.
Moçambique é identificado como um dos 22 países prioritários para a resposta com Alimentos Terapêuticos Prontos para Uso (ATPU), registando actualmente um défice de cerca de 18 por cento dos recursos financeiros necessários para cobrir a procura prevista.
“Os cortes no financiamento da ajuda ao desenvolvimento estão a afectar directamente a capacidade de assegurar suplementos, medicamentos e logística para a resposta nutricional”, refere um comunicado de imprensa da UNICEF.
A pressão sobre os serviços de saúde tende a intensificar-se em períodos de escassez alimentar e após choques climáticos, comprometendo a assistência a crianças em estado crítico.
“O reforço do financiamento para os ATPU e dos cuidados de saúde primários é essencial para evitar mortes evitáveis e proteger os ganhos alcançados na última década”, sublinha.
Apesar da centralidade do tratamento, o UNICEF reforça que a prioridade deve ser a prevenção da desnutrição infantil. “É fundamental investir em estratégias preventivas, incluindo práticas alimentares adequadas e o fortalecimento dos sistemas comunitários de saúde”, indica.
Os ATPU, desenvolvidos em 1996, revolucionaram o tratamento da desnutrição aguda grave ao permitir o tratamento domiciliário de crianças sem complicações, reduzindo a necessidade de internamento hospitalar e o risco de infecções secundárias.
“Quando a prevenção não é suficiente, o ATPU é uma intervenção comprovada e eficaz, permitindo uma recuperação rápida e segura, mesmo em contextos de acesso limitado a serviços hospitalares”, acrescenta.
A nível global, cerca de 42,8 milhões de crianças sofrem de desnutrição, das quais 12,2 milhões apresentam a forma aguda grave, considerada a mais letal, com um risco de morte até 12 vezes superior ao de crianças bem nutridas.
Os ATPU são produzidos à base de amendoim, leite em pó desnatado, óleo, açúcar e micronutrientes essenciais, não contendo água, o que evita a proliferação de bactérias e permite conservação sem refrigeração.
Uma saqueta de 92 gramas fornece cerca de 500 calorias, sendo administrada a crianças entre os 06 (seis) e os 59 meses, durante um tratamento que pode durar entre seis e oito semanas.
O UNICEF é o maior comprador mundial destes alimentos terapêuticos, tendo distribuído milhares de milhões de saquetas nas últimas duas décadas, contribuindo para a recuperação de milhões de crianças em todo o mundo.
Apesar dos progressos registados em 30 anos, a organização alerta que a combinação de crises humanitárias e restrições financeiras pode comprometer o acesso contínuo a este tratamento essencial.
(AIM)
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