Maputo, 10 Jul (AIM) – O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) propõe a criação de um Centro de Excelência de Drones em Moçambique, como próximo passo para consolidar a capacidade nacional no uso desta tecnologia na gestão de riscos de desastres e promover a inovação em diferentes sectores de desenvolvimento.
A proposta foi lançada hoje (10), em Maputo, pelo representante do BAD em Moçambique, Rômulo Corrêa, durante a cerimónia de graduação dos pilotos de drones e encerramento do primeiro projecto de gestão de desastres baseado nesta tecnologia.
Corrêa disse que o centro poderá posicionar Moçambique como uma referência regional na aplicação de drones para o desenvolvimento e gestão de riscos de desastres.
“Hoje não celebramos um ponto de chegada, mas um ponto de partida para consolidar o ecossistema nacional de drones, promover a investigação e inovação, reforçar competências e expandir a utilização das tecnologias para áreas como a agricultura, monitoria de infraestruturas, gestão ambiental e adaptação às alterações climáticas”, afirmou
Segundo o representante do BAD, a iniciativa representa uma demonstração do impacto da cooperação entre países e instituições quando orientada para soluções concretas de protecção de vidas, fortalecimento das comunidades e construção de resiliência.
O responsável destacou que, ao longo dos 15 meses de implementação do projecto, foram disponibilizados nove drones, sistemas de informação, sensores e tecnologias avançadas de recolha e análise de dados, além da formação de profissionais nacionais.
No âmbito da iniciativa, foram capacitados 30 especialistas moçambicanos, dos quais 10 estão preparados para formar novos técnicos, garantindo a continuidade da transmissão de conhecimentos.
Corrêa salientou que a utilidade da tecnologia ficou comprovada durante as cheias que afectaram as províncias de Maputo e Gaza, sul do país, no início deste ano, quando os drones apoiaram as operações de emergência, melhoraram a recolha de informação e contribuíram para uma resposta mais rápida às populações afectadas.
“Os drones não são apenas equipamentos. São ferramentas que ajudam as equipas de emergência a chegar mais depressa e funcionam como olhos no terreno quando há situações críticas”, afirmou.
Por seu turno, o Embaixador da República da Coreia em Moçambique, Bok Kang, destacou que o projecto demonstra a importância de combinar cooperação para o desenvolvimento com tecnologia e experiência acumulada para responder a desafios reais.
Segundo o diplomata, a iniciativa não se limita ao fornecimento de equipamentos, mas aposta no fortalecimento da capacidade local para garantir que Moçambique possa utilizar a tecnologia de forma sustentável.
Bok Kang recordou que especialistas coreanos trabalharam com técnicos moçambicanos durante as cheias na província de Gaza, onde os drones ajudaram a identificar comunidades isoladas, avaliar áreas afectadas e disponibilizar informação em tempo real às equipas de emergência.
O Embaixador da Coreia defendeu que a conclusão do projecto deve marcar o início de uma cooperação mais ampla, incluindo novas iniciativas no domínio da inovação tecnológica e resiliência climática.
A iniciativa contou com o apoio do Governo de Moçambique, através das instituições nacionais ligadas à gestão de riscos e meteorologia, do BAD, da República da Coreia e da ‘Busan Technopark’.
(AIM)
SNN/mz
