Maputo, 28 de Set (AIM) – Mais de 9 mil pranchas de madeira nativa, correspondentes a 547,02 metros cúbicos, foram apreendidas pelas autoridades ambientais no Bairro de Zalala, na Vila de Mocímboa da Praia, província de Cabo Delgado, numa operação que expõe a dimensão das redes de exploração e circulação ilegal de recursos florestais no norte de Moçambique.
A apreensão ocorreu no dia 27 de Setembro de 2026, numa operação coordenada pela Agência Nacional para o Controlo da Qualidade Ambiental, Instituto Público (AQUA, IP) e pela Polícia de Protecção de Recursos Naturais e Meio Ambiente (PPRNMA).
A acção resultou de operações de inteligência desenvolvidas pelo corpo de fiscalização ambiental, que vinha acompanhando movimentações suspeitas relacionadas com o abate, transporte e comercialização ilegal de madeira nativa.
De acordo com as autoridades, a madeira apreendida, constituída por espécies nativas classificadas como preciosas, encontrava-se armazenada em sete quintais residenciais localizados na zona da praia.
As primeiras informações apontam para a possibilidade de que o produto estivesse a aguardar o carregamento em barcaças com destino à República Unida da Tanzânia, hipótese que está a ser averiguada pelas autoridades no âmbito das diligências em curso.
A dimensão da apreensão — mais de nove mil pranchas e mais de 547 metros cúbicos de madeira — coloca em evidência a pressão exercida sobre os recursos florestais e a necessidade de reforço das acções de fiscalização e controlo ao longo das zonas de produção, armazenamento e circulação de madeira.
Após a operação, a madeira apreendida foi colocada sob custódia do Governo do Distrito de Mocímboa da Praia, enquanto decorrem os procedimentos legais para a formalização do caso junto do Ministério Público, a nível distrital.
As autoridades continuam igualmente a trabalhar na identificação dos proprietários da madeira e na determinação das responsabilidades relacionadas com a sua posse, armazenamento e eventual tentativa de transporte.
A legislação moçambicana prevê consequências penais para os envolvidos em crimes relacionados com a exploração e circulação ilegal de recursos florestais.
Segundo a AQUA, nos termos da lei, os proprietários das residências onde a madeira foi encontrada poderão incorrer em pena de prisão de um a cinco anos e multa correspondente, caso seja comprovada a sua responsabilidade.
A aplicação das sanções dependerá, contudo, da conclusão das investigações e da tramitação do processo pelas autoridades competentes.
A apreensão em Mocímboa da Praia surge no quadro dos esforços das autoridades para reforçar o controlo sobre os recursos naturais e travar práticas que ameaçam o património florestal do país.
A AQUA, IP reafirma o seu compromisso com a fiscalização ambiental, a conservação dos recursos naturais e a protecção do património florestal de Moçambique, assegurando que as diligências para esclarecer a origem, propriedade e destino da madeira apreendida continuam.
A instituição apela ainda à população para que denuncie práticas, movimentações ou armazenamento suspeitos de recursos florestais, considerando que a colaboração das comunidades pode permitir uma intervenção mais rápida das autoridades e contribuir para o combate à exploração ilegal dos recursos naturais.
(AIM)
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