Maputo, 30 Set (AIM) – O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique (BM) decidiu, esta quarta-feira, em Maputo, manter a Taxa do Mercado Monetário Interbancário de Moçambique (MIMO) em 9,25 por cento.
Na mesma sessão, o CPMO decidiu alterar o regime de reservas obrigatórias, medida que entrará em vigor a partir do próximo período de constituição.
Segundo o governador do Banco de Moçambique e presidente do CPMO, Felisberto Navalha, a decisão decorre da prevalência de riscos e incertezas associados, entre outros factores, aos choques climáticos e ao prolongamento dos conflitos geopolíticos no Médio Oriente e na Europa, com possíveis reflexos sobre os preços internacionais dos combustíveis e dos alimentos.
A decisão ocorre igualmente num contexto de recuperação lenta da actividade económica.
O novo regime de reservas obrigatórias terá a duração de 18 meses e permitirá reduzir, na componente em moeda nacional, o montante correspondente às novas operações de financiamento concedidas pelo sistema bancário às empresas que contribuam para a substituição de importações e para o aumento das exportações.
“A taxa de juro a ser aplicada será a taxa MIMO, com a possibilidade de ser acrescida de uma margem de 150 pontos base, conforme a finalidade”, explicou Navalha.
A medida pretende, deste modo, criar condições para um maior financiamento à actividade produtiva, particularmente às empresas com potencial para contribuir para a redução da dependência de importações e para o reforço das exportações.
No domínio dos preços, o CPMO prevê um aumento da inflação no curto prazo, seguido de uma redução para um dígito no médio prazo.
Segundo Navalha, em Agosto de 2026, a inflação anual desacelerou para 6,5 por cento, contra 7,5 por cento em Junho do mesmo ano.
O governador referiu ainda que a inflação subjacente, indicador que procura medir a tendência de longo prazo dos preços, excluindo componentes com maior volatilidade, como frutas e vegetais, bem como bens com preços administrados, também registou uma redução.
Entretanto, no curto prazo, prevê-se alguma pressão sobre os preços, impulsionada pela inflação importada dos principais parceiros comerciais e pelo aumento dos preços de frutas e vegetais, associado ao fim da época fresca.
Estas pressões deverão ocorrer num contexto de relativa estabilidade do metical, enquanto a procura e o consumo das famílias, o investimento das empresas e a despesa do Estado permanecem abaixo do seu potencial.
Para o médio prazo, o Banco de Moçambique prevê que os preços continuem a aumentar, mas a um ritmo mais lento e com menor intensidade, favorecendo a manutenção da inflação em um dígito.
Esta perspectiva está associada, entre outros factores, à expectativa de redução dos preços internacionais dos combustíveis e dos alimentos, bem como a um eventual abrandamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente.
No que diz respeito à actividade económica, o CPMO mantém a perspectiva de um crescimento moderado.
Segundo o governador, o Produto Interno Bruto (PIB) real cresceu 1,7 por cento no segundo trimestre de 2026, depois de ter registado um crescimento de 0,01 por cento no primeiro trimestre.
Navalha explicou que este desempenho foi sustentado, essencialmente, pelo comportamento dos sectores primário, da indústria extractiva e dos serviços.
Para o médio prazo, o Banco de Moçambique prevê que estes sectores, aliados à implementação de projectos em áreas estratégicas, continuem a contribuir para a manutenção de um crescimento moderado da actividade económica.
(AIM)
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