Carregamento de gas natural na Bacia do Rovuma
Maputo, 07 Out (AIM) – Moçambique arrecadou 252,8 milhões de dólares em receitas provenientes da exploração do gás da Bacia do Rovuma, norte do país, entre os anos de 2022 e 2025.
O valor é considerado ainda reduzido face ao potencial de receitas que o país pode obter com a entrada em funcionamento de outros projectos de exploração do recurso.
Os dados foram apresentados hoje (07), em Maputo, por Estrela Charles, membro do Comité de Supervisão do Fundo Soberano de Moçambique, durante a Primeira Conferência Nacional da Faculdade de Economia e Gestão (FEG) da Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo), que decorre sob o lema “Explorar com consciência, desenvolver com sustentabilidade”.
Segundo a especialista, o montante arrecadado até 2025 resulta essencialmente da produção da Coral Sul.
“Esse valor é bastante reduzido perante aquilo que nós teremos em relação à exploração do gás”, afirmou.
Defendeu a necessidade de Moçambique se preparar para gerir os recursos que serão gerados quando outros projectos entrarem em funcionamento.
A fonte explicou que, em 2025, por exemplo, todas as receitas do Estado, incluindo impostos, taxas e outras fontes, totalizaram cerca de 385 mil milhões de meticais, equivalentes a pouco mais de seis mil milhões de dólares.
Entretanto, o volume anual de receitas que poderá resultar, no total, do gás da Bacia do Rovuma poderá atingir valores várias vezes superiores às receitas actualmente arrecadadas
Neste contexto, Estrela Charles alertou que o aumento das receitas, por si só, não significa desenvolvimento.
Segundo a fonte, os recursos provenientes do gás devem ser transformados em capital humano, infra-estruturas, produção e capacidade institucional, de modo a garantir benefícios duradouros para a população.
Apontou a diversificação da economia como uma das principais condições para evitar que Moçambique fique excessivamente dependente do gás.
Para o efeito, defendeu receitas em investimento em sectores como agricultura, indústria transformadora, economia digital e turismo.
“Nós não comemos gás. Precisamos de arroz, milho, óleo, …”, observou.
Explicou que o verdadeiro impacto das receitas deve ser medido pela melhoria das condições de vida da população, nomeadamente acesso à educação, saúde, emprego e oportunidades económicas.
Na conferência, o Reitor da Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo), Jorge Ferrão, foi pela necessidade do país transformar a riqueza proveniente dos recursos naturais em desenvolvimento económico, social e humano, para garantir o bem-estar das actuais e futuras gerações.
“O nosso verdadeiro desafio nacional não está e não reside apenas entre explorar ou não explorar, mas como explorar, como produzir riqueza, como respeitar o ambiente, e gerir as receitas sem criar dependências”, afirmou.
Ferrão vincou que Moçambique dispõe de importantes reservas de gás natural, carvão, grafite, areias pesadas, ouro e rubis, potencial hidroeléctrico.
O mundo, hoje em dia, bate-se até por recursos preciosos, como tantos outros de que Moçambique dispõe.
Considerou necessário avaliar até que ponto a riqueza petrolífera, muito cobiçada pelo mundo, têm contribuído para a melhoria das condições de vida da população.
A Primeira Conferência Nacional da FEG decorre no Campus da Universidade Pedagógica de Maputo até 09 de Outubro, sob o lema “Explorar com consciência, desenvolver com sustentabilidade”.
A iniciativa reúne académicos, instituições públicas, sector privado, sociedade civil e outros actores, com vista a discutir os desafios e oportunidades associados à exploração sustentável dos recursos naturais em Moçambique.
(AIM)
Hélia Nhanengue/mz
