Maputo, 08 Out (AIM) – O Governo está a preparar uma nova revisão estratégica para o desenvolvimento do sector agrário e a estruturar a implementação do programa de transformação agrária, com intervenções previstas nas cadeias de valor e no agronegócio.
O anúncio foi feito hoje (08), na Matola, província de Maputo, pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito, durante a abertura do primeiro Conselho Coordenador do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas (MAAP).
Na ocasião, Mito apresentou as linhas de intervenção do novo ministério, destacando a reforma, o financiamento e a transformação dos sectores sob sua tutela.
O ministro defendeu uma abordagem integrada para a agricultura, pecuária, pescas, aquacultura e ambiente, apontando para a necessidade de aumentar a produção, reduzir perdas, criar emprego e transformar pequenas produções em negócios.
“Transformação não é apenas aprovar uma política ou lançar um programa. Transformação acontece quando uma família produz mais e perde menos. Acontece quando um jovem encontra, por exemplo, na agricultura, na pecuária, na pesca ou na aquacultura, uma oportunidade de emprego e de realização. Acontece quando uma pequena produção se torna um negócio”, disse.
Segundo o governante, a intervenção deverá abranger igualmente as condições de produção e comercialização dos pescadores, a capacidade das comunidades para enfrentar cheias, ciclones e secas e a utilização sustentável dos recursos naturais.
Mito defendeu ainda uma maior articulação entre o Estado, sector privado, instituições financeiras, produtores, academia e parceiros de cooperação, considerando que o financiamento deve estar ligado a oportunidades concretas de produção e de negócio.
“O Estado deve criar as condições para oferecer instrumentos de negócios agrários e pesqueiros. Os investimentos devem encontrar oportunidades e quem produz deve encontrar mercado”, afirmou.
O ministro disse que o Governo está também a promover iniciativas orientadas para o desenvolvimento das cadeias de valor e do agronegócio.
Na sua intervenção, Mito defendeu a substituição de uma abordagem sectorial por uma resposta integrada aos problemas enfrentados pelos produtores, que, segundo explicou, necessitam de acesso simultâneo a terra, tecnologia, financiamento e mercados.
“Temos de substituir a lógica dos sectores isolados pela lógica das soluções integradas. O produtor que precisa de terra segura, tecnologia, financiamento e mercado não pode encontrar um Estado dividido. Tem de encontrar um Estado ordenado e capaz de dar uma resposta apropriada e célere”, afirmou.
Sobre a criação do MAAP, o ministro disse que a nova estrutura deverá adoptar uma forma integrada e coordenada de trabalho, com maior ligação aos territórios e participação do sector privado.
Mito apontou ainda a produção, o acréscimo de valor, a protecção dos recursos naturais e a criação de oportunidades para jovens e mulheres como áreas de intervenção do ministério.
(AIM)
SNN/PC
