Novo edificio da GRINDROD. Foto de Ferhat Momade
Maputo, 30 Mai (AIM) – A Grindrod vai investir cerca de 80 milhões de dólares, ao longo dos próximos dois anos, para aumentar a capacidade do Terminal de Carvão da Matola.
O investimento, anunciado esta sexta-feira (30), na cidade da Matola, província de Maputo, irá permitir o aumento da capacidade de manuseamento de carga ferroportuária do carvão mineral dos actuais oito milhões de toneladas para 12 milhões de toneladas anuais, ou seja um acréscimo de 50 por cento.
Esta expansão vai permitir o aumento das áreas de estocagem no Terminal de Carvão, a extensão de tapetes rolantes, a instalação de novos equipamentos de carregamento e empilhamento, entre outras melhorias técnicas da infra-estrutura.
O Chefe de Estado moçambicano, Daniel Chapo, que participou na inauguração do novo edifício administrativo da Grindrod do Porto da Matola, disse que empreendimento foi pensado e concebido para receber carga proveniente da ferrovia, devido ao crescimento do transporte rodoviário de carvão e magnetite.
Por isso, disse Chapo, é nosso objectivo continuar a investir na ferrovia para que tenhamos cada vez menos camiões e mais vagões a transportarem carvão e magnetite”.
Chapo considera urgente acelerar esta mudança estrutural, para elevar a eficácia da componente ferroviária e impulsionar maior competitividade no Corredor de Maputo, através da integração operacional entre os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), a Transnet e o Porto de Maputo.
“Esta integração trará benefícios não somente a nível técnico-operacional, mas também terá impactos positivos nos domínios económico, social e ambiental, incluindo a criação de mais postos de emprego ao longo do corredor, e não só”, afirmou.
Por isso, Chapo defende a melhoria ao longo de toda a cadeia logística no corredor da região, para que estes investimentos tenham retorno para os seus investidores.
“A expansão deve ser complementada pela elevação da eficiência operacional das nossas ferrovias; a gestão de fronteiras, que é extremamente importante para a eficiência logística; a tramitação aduaneira, que deve ser eficiente; e os serviços logísticos dentro dos padrões e previsibilidade exigidos pelo mercado regional e internacional”, frisou.
Espera ainda que este investimento traga um desenvolvimento sustentável, “crie mais emprego para a nossa juventude, renda para as famílias e as nossas populações, e, sobretudo, mais receitas para o cofres do Estado”.
Facto que depende, fundamentalmente da coordenação entre o sector privado e as instituições públicas, para que o Corredor de Maputo, com bastante potencial, seja uma referência em toda a região da SADC.
“É fundamental que todos os actores juntem sinergias para propiciar um ritmo de acção à altura das transformações que estão a acontecer à nossa volta. Hoje, não basta planear, é preciso entrar em acção, isto é, executar. Não basta diagnosticar, é preciso agir, com responsabilidade, inovação, competência e visão de médio, curto e longo prazos”, sublinhou.
Já o director executivo da Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC), Osório Lucas, disse esperar que este investimento gere até 2027 mais de 800 empregos directos na fase da construção e 60 indirectos na fase de implementação, ao longo da cadeia de valor do Porto de Maputo.
Explicou que o desenvolvimento sustentável não se mede apenas pelos números ou infra-estruturas, mas também pela capacidade de fazer com que todo o sistema funcione de forma integrada, o que exige mais cooperação, inovação e disciplina operacional.
“Não basta termos melhores terminais, um bom sistema ferroviário robusto, fronteiras fluidas, alfândegas e migração modernas para operações sincronizadas. É imprescindível o trabalho em equipa, só assim garantiremos que o Porto de Maputo e o sistema logístico que o alimenta sejam de facto competitivos e úteis à região e ao mundo”, advertiu.
Por seu turno, o director executivo da Grindrod, Xolani Mbambo, aproveitou a ocasião para transmitir a confiança na Grindrod, uma gigante do sector logístico fundada em 1910.
“Este ano completamos 115 anos de história, uma trajectória de resistência, inovação e compromisso. Podem confiar que estão nas mãos de uma empresa com longa experiência e boa reputação, por isso reafirmamos o nosso compromisso de contribuir para o desenvolvimento económico de Moçambique e da região da SADC”, disse.
O novo edifício administrativo da Grindrod, construído no recinto do Porto da Matola, está orçado em mais de cinco milhões de dólares americanos e cobre uma área de dois mil metros quadrados e acolhe mais de 90 colaboradores.
A infra-estrutura conta com, com escritórios modernos, salas de reuniões de alta capacidade, um centro de treinamento e uma clínica totalmente equipada com consultório médico e farmácia. Projecta-se, também, a construção de um ginásio para os funcionários e ampliação das áreas de estacionamento.
(AIM)
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