Maputo, 06 Ago (AIM) – A ministra das Finanças, Carla Louveira, lançou a Estratégia Nacional de Inclusão Financeira (ENIF) 2025–2031, um acto que teve lugar esta quarta-feira (06), em Maputo, e visa impulsionar o crescimento económico sustentável e inclusivo de Moçambique.
Segundo Louveira, a estratégia está alinhada com o primeiro pilar da Estratégia Nacional de Desenvolvimento (END 2025–2044), referente à transformação estrutural da economia, bem como com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
“A nova estratégia que hoje lançamos visa assegurar o acesso e uso de produtos e serviços financeiros de qualidade e acessíveis, através do conhecimento, confiança e segurança, providos de forma responsável, que contribuam para o crescimento económico sustentável e inclusivo e o bem-estar da população moçambicana”, declarou.
A governante explica que o documento assenta em quatro pilares fundamentais: “O primeiro pilar visa assegurar o acesso e uso de produtos e serviços financeiros de qualidade e acessíveis. O segundo, o aumento do uso de tais produtos e serviços, através de pagamentos digitais, melhoria de acesso ao crédito, criação de um clima favorável ao investimento, expansão dos seguros e do financiamento verde”, explicou.
“O terceiro pilar é a promoção da literacia financeira, capacitando os moçambicanos, sobretudo nas zonas rurais, com conhecimentos sólidos e competências que lhes permitam tomar decisões financeiras informadas”.
O quarto e último visa reforçar a protecção dos consumidores e a confiança nos serviços financeiros, promovendo a consciencialização sobre os direitos dos consumidores, a protecção de dados, segurança digital e a implementação de uma regulamentação sólida.
Louveira reconheceu os ganhos da anterior estratégia (ENIF 2016–2022), embora admita que persistem muitos desafios.
“No que diz respeito à percentagem de contas bancárias na população adulta, registou-se uma evolução modesta, passando de 30,1 por cento em 2015 para cerca de 32,3 por cento no primeiro trimestre de 2025. Este crescimento ficou aquém da meta estabelecida, que previa atingir 60 por cento. Em relação à cobertura geográfica do sistema bancário, a taxa de cobertura dos distritos por agências bancárias passou de 68 por cento, em 2015, para 82,6 por cento no primeiro trimestre deste ano”, indicou.
Para fazer face aos desafios, a ministra apela à adopção de medidas que promovam maior inclusão e flexibilidade no acesso aos serviços financeiros.
“Estas metas podem ser alcançadas com reformas profundas no sistema financeiro, associadas ao uso de soluções que respondam às características e ao modus vivendi da nossa população, através de tecnologias emergentes, como a inteligência artificial e a biometria, com o objectivo de acelerar, de forma segura e eficiente, os níveis de inclusão financeira em Moçambique”, sublinhou.
Por seu turno, o Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, afirmou que a nova estratégia vem reforçar o compromisso de construir um sistema financeiro mais justo e inclusivo.
“Ela reforça, ela renova os nossos compromissos de construir uma sociedade, um sistema financeiro que depende não só de nós, mas de todos nós, incluindo o sector privado, mais justo, mais inclusivo, que abrange, que traz toda aquela nossa população que está nas zonas mais remotas do nosso país”, frisou.
Já a presidente do Conselho de Administração do Instituto de Supervisão de Seguros de Moçambique (ISSM), Ester dos Santos, referiu que o principal objectivo da ENIF é estabelecer as principais directrizes para expandir o acesso e aumentar o uso de produtos e serviços financeiros acessíveis e de qualidade para todos os moçambicanos.
Refira-se que a elaboração da estratégia resultou de um processo extensivo de consulta ao Governo, instituições financeiras, sector público e privado, bem como parceiros de desenvolvimento, através da realização de entrevistas.
(AIM)
SNN/sg
