O XII Festival Nacional da Cultura
Tete (Moçambique), 20 de Ago (AIM) – O coração de Tete bate em compasso de festa desde o arranque da fase nacional do festival da cultura. Durante o dia, a cidade veste-se de arte e tradição, num ambiente colorido pelos diversos artigos de produção artística expostos nos diferentes pontos da cidade; à noite, deixa-se embalar pelo som da música e da dança.
O XII Festival Nacional da Cultura traz consigo uma atmosfera de celebração que envolve os campos e instituições de ensino, tornando a urbe num verdadeiro anfitrião da diversidade da cultura moçambicana.
No Pavilhão Municipal de Tete, centro da cidade, a AIM encontrou Mauricio Emilio, escultor da província de Nampula. Emílio diz que a feira de exposição artística que decorre naquele espaço é uma verdadeira montra para expor as suas produções artísticas, impulsionado pelo movimento de várias delegações que passam por aquele recinto.
“A minha arte é a escultura. Faço esse trabalho já há muito tempo e sempre que temos um evento desses eu encaro como uma oportunidade de me fazer conhecer para as várias pessoas que passam por aqui”, disse o artista de 27 anos.
O mais visível pelos corredores dos centros de exposição, são exibições de artesanato, pintura, escultura e fotografia, que permitem ao público contactar de perto com a criatividade dos artistas.
As cores fortes dos tecidos tradicionais — expostas, por exemplo, no pavilhão da província da Zambézia — misturam-se com formas trabalhadas em madeira, pedra e metal, revelando a habilidade de artesãos de várias regiões do país, com destaque para as esculturas trazidas do norte de Cabo Delegado.
Além das exposições, há performances de dança e desfile de moda, realizadas em praças abertas, que captam a atenção de transeuntes e despertam curiosidade entre os mais jovens. A cidade assume, assim, um ambiente de galeria a céu aberto, onde a cultura se manifesta em múltiplas expressões.
À noite, o ritmo muda. O festival prolonga-se em espetáculos musicais, organizados em diferentes pontos da cidade. Palcos erguidos em zonas estratégicas acolhem concertos que vão desde a música popular até fusões modernas, proporcionando diversidade de sons e estilos. Os artistas locais partilham o palco com músicos de outras províncias, numa troca cultural que fortalece o espírito de unidade nacional.
O músico Mister Nhungue, referência da música local e que conta com diversas premiações, foi um dos artistas que, mercê da voz e melodia que lhe são peculiares, subiu ao palco para cantar e encantar e refere-se a vibração dos presentes como testemunha inequívoca de que o festival está ao serviço da união dos povos através da cultura.
“É este tipo de festival que carrega a identidade moçambicana”, disse o músico, acrescentando que este tipo de eventos abrem espaço para uma troca de experiência entre os artistas.
O Festival Nacional da Cultura, que acontece ciclicamente em diferentes províncias, assume-se como o maior espaço de celebração e partilha cultural do país. Em Tete, a sua realização reafirma o papel da província na preservação e divulgação das tradições, mas também na promoção de artistas emergentes que encontram neste espaço oportunidade de mostrar o seu talento.
Aliás, é na província de Tete onde tem origem o Nyau, uma dança tradicional praticada pelos grupos étnicos que habitam as regiões fronteiriças entre Moçambique, Malawi e Zâmbia.
Durante estes dias, o coração de Tete pulsa com intensidade particular. A cidade vive um ambiente de festa contínua: de dia, com exposições e exibições que revelam a riqueza das artes visuais e cénicas; de noite, com música e dança que unem pessoas em celebrações colectivas.
O festival torna-se, assim, um retrato vivo da identidade moçambicana, marcada pela diversidade, criatividade e espírito de partilha. Assim, no compasso da arte e no ritmo da música, Tete confirma-se, nestes dias, como verdadeiro epicentro cultural do país.
(AIM)
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