Director nacional da Agricultura, no Ministério, Zabula Zibia
Maputo, 26 Ago (AIM) – O Governo moçambicano aposta em novas iniciativas para a revitalização da indústria do café em Moçambique, posicionando o produto como uma cadeia de valor estratégica para o agronegócio e para a diversificação da economia nacional.
Para a materialização do desiderato, várias iniciativas estão em curso em coordenação e apoio da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento, com vista a impulsionar o agronegócio em Moçambique.
O anúncio foi feito esta terça-feira, durante a Feira Internacional de Maputo (FACIM 2025), pelo director nacional da Agricultura, no Ministério, Zabula Zibia, destacando a construção na província central, do Centro Agroalimentar de Manica (CAAM), orçado em 35 milhões de euros, financiado pelo governo da Itália.
“Trata-se de uma cadeia de valor com enorme potencial em Moçambique. O governo apoia iniciativas que visam desenvolver a produção e comercialização do café. A nossa visão é que haja integração dos produtores na cadeia do valor do café, para que a indústria confira maior benefício aos produtores”, disse Zabula Zibia.
Para Maria Pescante, directora adjunta da Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), o café é um elo cultural e económico que une os dois países. “Para a Itália, o café é um símbolo cultural e uma excelência económica. Para Moçambique, representa uma nova cadeia agrícola que hoje precisa de apoio para se consolidar, integrar-se em planos de desenvolvimento sustentável e, assim, expressar todo o seu potencial”, afirmou.
Segundo a fonte, no quadro do Plano Mattei, a cooperação italiana está a investir na valorização do café moçambicano, com acções focadas na qualidade, sustentabilidade e inserção nos mercados internacionais.
Entre as prioridades, destacam-se, reforço das associações e cooperativas de pequenos produtores, promoção do papel das mulheres e dos jovens em toda a cadeia de valor, apoio ao acesso aos mercados internacionais, onde o café moçambicano pode ganhar reconhecimento e expansão da cultura do café, apoiada por iniciativas como o Coffee Hub de Maputo, lançado pela UNIDO.
“Queremos relançar o café moçambicano com uma abordagem orientada para a qualidade e a sustentabilidade, garantindo que os pequenos produtores tenham acesso a oportunidades reais”, sublinhou Pescante.
Para Simone Santi, Presidente da Câmara de Comércio Itália–Moçambique, o café deve ser visto como parte de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento agro-industrial.
“O café não é apenas um produto agrícola: é identidade, orgulho e oportunidade económica. Através do Plano Mattei, a Itália pretende trabalhar lado a lado com Moçambique para criar valor partilhado, oportunidades para jovens e mulheres, e um futuro mais próspero”, disse.
Santi destacou ainda o papel do Centro Agroalimentar de Manica (CAAM), apoiado pela cooperação italiana, como plataforma estratégica para transformar e valorizar produtos agrícolas, incluindo o café.
Por sua vez, Genaro Lopez, presidente da Associação Moçambicana de Cafeicultores (AMOCAFÉ) reconhece que a indústria enfrenta desafios estruturais, desde o baixo investimento em processamento local até à dificuldade de acesso a financiamento agrícola.
As principais províncias produtoras, nomeadamente, Nampula, Zambézia, Niassa e Manica, com destaque para os planaltos de Gurúè e Lichinga, zonas tradicionalmente ligadas à produção de café arábica.
Segundo dados da associação, Moçambique produz actualmente entre 500 e 600 toneladas anuais de café, uma quantidade ainda reduzida face ao potencial do país. Entre os projectos em curso, destacam-se iniciativas de replantio de cafezais, introdução de novas variedades resistentes às mudanças climáticas, capacitação de pequenos agricultores e a criação de cadeias curtas de comercialização para estimular o consumo interno.
“O desafio é transformar o café moçambicano num produto de valor, através do aumento da produção, do processamento local e do acesso a mercados diferenciados. Só assim será possível garantir emprego, rendimento e competitividade internacional”, defendeu Genaro Lopez do AMOCAFÉ.
No encerramento da sessão, Pescante reforçou que a parceria entre Moçambique e Itália no sector do café vai além do comércio. “Assim como o café une as pessoas à volta de uma mesa, queremos que os nossos projectos unam a Itália e Moçambique num caminho comum de desenvolvimento e amizade”, concluiu.
(AIM)
Paulino Checo/sg
