Familia residente no distrito de Chigubo
Chigubo (Mocambique), 6 Out (AIM) – O distrito de Chigubo, norte da província de Gaza, vive um dos períodos mais severos de seca dos últimos anos, colocando em risco a segurança alimentar de milhares de famílias que dependem quase exclusivamente da agricultura de subsistência.
A região, classificada como semiárida, não regista precipitação significativa nos últimos dois anos, factor que compromete a produção agrícola, o abeberamento do gado e acesso à água potável.
“Este é um distrito bastante desafiado. Desde Outubro do ano passado, ainda não tivemos nenhuma queda pluviométrica na sede de Chigubo”, afirmou o Administrador distrital, Almeida António, em entrevista à AIM, manifestando sua expectativa com as previsões meteorológicas que apontam para a ocorrência de chuvas para os próximos meses.
“Com as previsões de chuva para este ano, poderemos ver alguma melhoria nas condições de vida da nossa população”, acrescentou.
De acordo com a fonte, a estiagem prolongada agravou uma situação já crítica, marcada pela falta de água para consumo doméstico e animal, e pela queda acentuada da produção agrícola, aliado ao fenómeno das queimadas descontroladas, que tem devastado campos produtivos, agravando ainda mais a vulnerabilidade das famílias.
“É um período muito difícil”, reconheceu o administrador, destacando que em algumas zonas do interior do distrito, como Arriane e Zinhane, tiveram alguma chuva que permitiu uma produção limitada, mas insuficiente para satisfazer as necessidades locais. “O pouco excedente dessas áreas estão a ser canalizados para as comunidades que nada conseguiram produzir”, disse.
Enquanto isso, o governo distrital aguarda os resultados de um estudo do SETSAN (Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional) que deverá apresentar um quadro preciso sobre o número de famílias em risco. “Não queremos avançar dados antes do relatório final. Precisamos de alinhar a nossa resposta com as conclusões técnicas do SETSAN”, explicou Almeida António, confirmando, porém, que a situação no terreno é preocupante.
Para mitigar os efeitos da seca, o distrito está a reforçar parcerias com organizações de desenvolvimento rural e agrícola, promovendo culturas resilientes e hortícolas adaptadas ao clima semiárido.
“Não estamos de braços cruzados. Trabalhamos com parceiros como a ADCR, que apoia agricultores em zonas como Zinhane, onde associações locais já produzem diversas hortícolas e preparam a sementeira do milho”, vincou.
Entre as iniciativas estruturantes, o fomento do cajueiro desponta como uma das apostas do distrito para garantir rendimento a médio prazo, incentivando as comunidades a entrarem no ciclo de produção do cajueiro como uma cultura que se adapta bem ao solo e clima de Chigubo.
A seca extrema que assola Chigubo é reflexo de um padrão climático cada vez mais imprevisível, que afecta toda a região sul de Moçambique.
(AIM)
Paulino Checo /sg
