Greve geral conjunta CGTP e UGT contra lei laboral paralisa Portugal
Lisboa, 11 Dez (AIM)- Nas cidades de Lisboa, a capital portuguesa, e no Porto, no Norte do país, milhares de pessoas saíram esta quinta-feira (11) à rua em dia de greve geral convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) e União Geral de Trabalhadores (UGT) contra a reforma da lei laboral proposta pelo Governo de direita, liderado por Luís Montenegro.
Trata-se da primeira vez em 12 anos que Portugal voltou a assistir a uma greve geral convocada conjuntamente pela CGTP e UGT. A anterior ocorreu em 2013 no Governo do Primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e em plena vigência da “Troika” (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI).
“Tempo da Troika” em Portugal refere-se ao período de intervenção financeira e programa de resgate que durou cerca de três anos, de Maio de 2011 a Maio de 2014, quando o país, sob a crise da dívida soberana europeia, pediu ajuda externa à Comissão Europeia (CE), ao Banco Central Europeu (BCE) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para estabilizar as suas finanças, em troca de medidas de austeridade e reformas
A GUERRA DOS NÚMEROS DE ADESÃO À GREVE
A CGTP anunciou a adesão à greve de três milhões de trabalhadores. Por sua vez, o Governo, diz o oposto, considerando que “a esmagadora maioria do país está a trabalhar”.
Na verdade, a greve fez parar o país, com os efeitos a serem sentidos em sectores como o dos transportes, educação e saúde.
Milhares de alunos ficaram sem aulas, sobretudo pela ausência de auxiliares. A greve encerrou escolas por todo o país e esta sexta-feira (12) o cenário pode repetir-se com mais uma greve na função pública.
Não há para já números fechados, mas a Federação Nacional dos Professores estima que haja “cerca de 85 por cento de escolas encerradas e as restantes a funcionar parcialmente”, cita o “Jornal Económico”.
A greve geral está também a ter impacto no sector da aviação, já que há várias centenas de voos cancelados nos aeroportos nacionais. Destaca-se o Aeroporto de Lisboa, onde há mais de uma centena de voos cancelados (entre chegadas e partidas).
Em Lisboa, os manifestantes saíram do Rossio, baixa lisboeta, e concentraram-se em frente à Assembleia da República, o parlamento português..
Durante a tarde nas ruas da capital ouviram-se palavras de ordem contra as propostas do executivo e nos cartazes liam-se slogans como “O ataque é brutal, a greve é geral”, “Não vamos desistir, o pacote é para cair”, “O pacote laboral é encomenda do patrão”, “Salários de miséria, rendas a subir! O povo não aguenta — está na hora de agir”.
O Secretário-Geral da CGTP, Tiago Oliveira afirmou, citado pela RTP: “está aqui o mundo do trabalho” pedindo ao Primeiro-ministro para olhar para a manifestação expressiva no centro da capital.
O sindicalista lamenta que o chefe do governo “viva numa realidade própria” sugerindo que Luís Montenegro “venha conhecer a realidade”, ou seja, “a participação massiva de mais de 3 milhões de trabalhadores nesta greve geral”.
(AIM)
DM
