Presidente da República, Daniel Chapo, participa no velório de Alfredo Gamito
Maputo, 07 Jan (AIM) – Maputo, 07 Jan (AIM) – O legado político e institucional deixado por Alfredo Gamito continua a marcar o processo de consolidação democrática em Moçambique, afirmou hoje o Presidente da República, Daniel Chapo, destacando o contributo do antigo governante para a boa governação e o reforço do Estado de Direito.
Falando à imprensa, esta quarta-feira (07), à margem das cerimónias fúnebres de Alfredo Gamito, cujos restos mortais foram sepultados esta tarde no cemitério de Lhanguene, em Maputo, o Chefe de Estado sublinhou que a melhor forma de homenagear o malogrado dirigente passa pela continuidade das reformas em curso no país e pela preservação do seu legado de patriotismo e diálogo.
“As reformas que vamos levar a cabo exigem a participação de todos os cidadãos. Consideramos que os valores que ele deixa são extremamente importantes para continuarmos a consolidar a democracia, o respeito pelos direitos humanos e, sobretudo, o desenvolvimento do nosso país”, afirmou.
O Presidente da República destacou ainda que Gamito foi um defensor convicto do diálogo e das soluções inclusivas, tendo pautado a sua actuação pela proximidade com os cidadãos e pelo compromisso com a edificação do Estado moçambicano desde os primeiros anos da independência nacional.
“Foi sempre um defensor do diálogo e acreditava que essa era a melhor forma de resolver os problemas. A melhor maneira de o homenagearmos é prosseguirmos com reformas nacionais que melhorem os processos de governação e reforcem a consolidação do Estado de Direito”, acrescentou.
Segundo Chapo, Alfredo Gamito assumiu responsabilidades de elevado relevo na administração pública e no aparelho do Estado, tendo exercido, entre outras funções, os cargos de Secretário de Estado do Caju, Vice-Ministro da Agricultura e Ministro da Administração Estatal, este último considerado o mais alto posto que atingiu ao nível do Estado.
O Chefe de Estado recordou que foi durante o exercício destas funções que Gamito imprimiu uma dinâmica decisiva às reformas estruturais do Estado, num período crucial da história política e administrativa do país, incluindo a implantação das primeiras autarquias locais e a realização das primeiras eleições autárquicas, em 1998.
“O país implantou as primeiras autarquias em Moçambique e, com o seu conhecimento reconhecido ao nível da região, também participou na implementação do sistema de descentralização em Angola”, recordou.
Chapo reiterou que o objectivo central da governação reside na melhoria das condições de vida da população. “Tudo o que fazemos tem como objectivo principal a melhoria do bem-estar do povo moçambicano.”
O Presidente da República destacou igualmente o contributo de Gamito enquanto deputado da Assembleia da República, considerando-o um quadro de referência, com um papel relevante na liderança de várias comissões parlamentares, incluindo a comissão adjunta para a elaboração da primeira Lei Eleitoral.
Referiu que a presença do Estado nas exéquias constitui um reconhecimento público do valor humano, político e institucional de Gamito, cujo percurso se pautou pela integridade, responsabilidade e competência ao serviço do país, desde o mandato do primeiro Presidente da República, Samora Moisés Machel, até à sua reforma por limite de idade.
Já o antigo Presidente da República, Filipe Nyusi, descreve Gamito como uma pessoa ponderada, atenta ao pormenor e profundamente comprometida com a resolução prática dos problemas.
Numa mensagem de condolências publicada na sua página oficial do Facebook, Nyusi recorda que conheceu Gamito em Nampula, aquando do exercício das funções de governador daquela província. “Era um homem determinado, que acreditava no diálogo. Aprendi com Alfredo Gamito que os problemas se resolvem com as pessoas que estão no terreno, ouvindo-as e dialogando com elas.”
Por seu turno, falando em nome da família, Hermenegildo Gamito manifestou profunda gratidão ao Presidente da República, ao Governo e a todas as individualidades e cidadãos que manifestaram solidariedade à família Gamito, sublinhando que as mensagens de conforto recebidas “nos tocaram profundamente”.
Na sua intervenção, descreveu Alfredo Gamito como “um grande irmão, um amigo sempre presente, um bom pai e um grande patriota”, destacando o seu percurso de sacrifício pessoal em prol da família e do país.
Recordou que o malogrado foi o primeiro trabalhador não branco a ingressar na banca moçambicana, tendo posteriormente assumido responsabilidades de relevo no sector do caju, na governação provincial, na Assembleia da República e em processos de descentralização, incluindo apoio técnico a outros países.
“Fez-se por si próprio, caminhando com humildade e colocando sempre o seu saber e a sua experiência ao serviço dos outros, com espírito de paz, reconciliação e unidade nacional”, afirmou, apelando à coesão familiar e nacional como forma de honrar a memória de Alfredo Gamito.
(AIM)
NL / sg
