Mosquito causador da malária
Maputo, 12 Jan (AIM) – A cidade de Maputo registou, em 2025, um aumento superior a 100 por cento dos casos de malária, doença que provocou 30 óbitos, contra 12 no ano anterior, num contexto em que se observa, em contrapartida, uma redução significativa dos casos de doenças diarreicas durante a actual época chuvosa e ciclónica.
A informação foi avançada pela vereadora do Pelouro de Saúde e Qualidade de Vida no Conselho Municipal de Maputo, Alice de Abreu, durante o balanço da situação epidemiológica do município.
De acordo com os dados apresentados, os casos de malária passaram de 12.402 em 2024 para 26.928 em 2025, com uma taxa de letalidade estimada em 0,10 por cento. As crianças, os idosos e as populações residentes em zonas com acúmulo de águas paradas continuam a ser os grupos mais vulneráveis.
Os distritos mais afectados pela malária são Ka Mavota, Ka Mubukwana, Ka Mpfumo, Ka Maxaquene e Ka Lhamanculo, com destaque para os bairros de Polana Caniço, Luís Cabral, Hulene e Magoanine.
Segundo a vereadora, as principais causas da propagação da doença estão associadas a “problemas de saneamento do meio, inundações recorrentes e práticas inadequadas de higiene individual e colectiva”, factores que favorecem a reprodução do mosquito transmissor.
No que respeita às doenças diarreicas, entre Janeiro e Dezembro de 2025 foram notificados 31.035 casos, representando um aumento de cerca de oito por cento face a igual período de 2024, quando se registaram aproximadamente 28.740 casos.
Contudo, durante o período específico da época chuvosa e ciclónica, iniciada em Outubro de 2025, a cidade notificou 12.319 casos, contra 20.288 registados em igual período de 2023-2024, o que corresponde a uma redução de 39 por cento.
“Nós assumimos que este decréscimo sazonal sugere um impacto positivo das medidas preventivas que foram implementadas e acatadas pelas comunidades”, afirmou Alice de Abreu.
Para responder ao quadro epidemiológico, o Conselho Municipal tem priorizado acções de promoção da saúde, com enfoque na educação comunitária.
“Nós focamos na educação das comunidades em três aspectos fundamentais: água em quantidade e qualidade, existência de sanitários devidamente tratados e a limpeza e acondicionamento do lixo”, explicou.
No âmbito do acesso à água segura, o município recebeu cerca de 20 mil purificadores de água, dos quais 10 mil já foram distribuídos às comunidades.
“O objectivo é sempre distribuir, explicar como utilizar e recomendar que, na eventualidade de acabar, a população possa adquirir mais purificador”, disse.
Relativamente à cólera, a vereadora garantiu que não há casos confirmados na cidade.
“O centro de tratamento de doenças diarreicas está em prontidão, mas só é activado quando há confirmação de cólera, o que felizmente não temos até ao momento”, sublinhou.
No combate à malária, destacou-se a campanha de pulverização intradomiciliária, que permitiu pulverizar 17.369 casas e proteger 82.604 pessoas em bairros do distrito de Ka Mavota.
Foram ainda distribuídas 6.500 redes mosquiteiras, sobretudo a mulheres grávidas, crianças menores de cinco anos e famílias em centros de acomodação.
“O município tem um plano de contingência desde Outubro e sentimos que a situação está minimamente controlada”, concluiu Alice de Abreu, apelando à colaboração contínua dos munícipes para manter Maputo como uma cidade saudável.
(AIM)
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