Maputo, 12 Jan (AIM) – A barragem dos Pequenos Libombos, no distrito de Boane, província de Maputo, encontra-se em nível de vigilância no quadro do alerta que afecta oito bacias hidrográficas de Moçambique, situação resultante da chuva intensa que se regista a montante e que já afecta cerca de 70 mil famílias.
A informação foi confirmada durante uma visita de monitoria efectuada esta segunda-feira (12) pelo ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, à barragem, uma infra-estrutura estratégica no distrito de Boane, no âmbito das acções de acompanhamento da situação hidrológica.
Localizada na província de Maputo, a Barragem dos Pequenos Libombos tem a missão de abastecer com agua potável as cidades de Maputo e Matola e distrito de Boane.
Segundo o governante, as bacias hidrográficas de Maputo, Incomáti, Umbelúzi, Limpopo, Save, Búzi, Zambeze e Rovuma já atingiram o nível de alerta, algumas próximas de atingir a sua capacidade máxima, exigindo monitoria permanente das autoridades.
“Nós temos um total de oito bacias hidrográficas que estão com nível de alerta. Uma parte delas estão a aproximar-se dos 100 por cento da sua capacidade, pelo que temos de continuar a monitorar de modo a assegurar a integridade das infra-estruturas”, afirmou.
O ministro explicou ainda que os serviços hidrológicos de países vizinhos, nomeadamente África do Sul, Eswatini e Zimbabwe, comunicaram que as principais barragens a montante se encontram com níveis de enchimento próximos dos 100 por cento, o que aumenta o risco de cheias em Moçambique.
“Neste momento não estamos no nível de cheias. Estamos num nível moderado, mas é provável que, se continuar este ritmo de chuva, possamos declarar o nível de alerta”, explicou.
Para prevenir perdas de vidas humanas e danos materiais, incluindo a integridade física das barragens, o Governo iniciou descargas controladas. “Para assegurar a integridade das barragens, estamos a fazer descargas, mas de forma controlada. Essas descargas não vão afectar significativamente as populações.”
Para além da região sul, as bacias do Búzi, Púnguè, Zambeze, Licungo e Rovuma, no centro e norte do país, estão igualmente sob vigilância.
Durante a visita, o ministro recebeu explicações sobre o funcionamento das descargas e o impacto sobre as populações. Segundo Rafael, a descarga está a ser feita de forma controlada, com apenas uma porta da comporta aberta, mantendo o nível de armazenamento dentro dos limites de segurança.
“Sempre assegurou-se que o nível de armazenamento não estivesse abaixo do nível de segurança. Neste momento, estamos a evacuar de forma controlada; o caudal ainda está dentro do leito e não transborda”, afirmou.
O técnico responsável garantiu que o volume de água descarregado não afecta residências na zona baixa de Boane. Este ano, os caudais estão abaixo dos níveis de 2023, quando se registaram descargas de até 900 m³ por segundo que provocaram inundações.
“O caudal que estamos a descarregar hoje é controlado e deve circular dentro do leito normal. Até 250 metros cúbicos por segundo não afecta casas, apenas as machambas em zonas de inundação”, detalhou.
O ministro explicou que a monitoria e a descarga controlada têm como objectivo proteger a infra-estrutura e garantir o armazenamento necessário para a época de seca. “O armazenamento actual está em 84 por cento. Este controlo vai manter-se até atingirmos os 75 por cento, considerado seguro. Durante Janeiro, Fevereiro e Março, faremos o balanço necessário antes de retomar o enchimento total da barragem.”
O Governo trabalha em coordenação com transportes logísticos e autoridades locais, incluindo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), para informar as famílias e permitir que tomem medidas de segurança.
“Antes de efectuarmos qualquer descarga, contactamos os líderes comunitários para que a mensagem chegue à população. A informação prévia é fundamental para proteger vidas e bens”, acrescentou.
O diálogo revelou ainda planos para melhorar a resiliência das infra-estruturas, como ajustes em drifts e portos, para reduzir impactos durante as chuvas e garantir a funcionalidade das vias de transporte e acessos à região.
“Estamos a trabalhar para minimizar impactos de turvação e assegurar que a infra-estrutura resista, mesmo com cheias a montante de outros países vizinhos”, concluiu Rafael.
(AIM)
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