Secretário de Estado de Género e Acção Social, Abdul Esmail, durante o lançamento da Campanha Nacional de Combate à Violência de Género e ao Feminicídio. Foto de Ferhati Momade
Maputo, 06 Abr (AIM) – Moçambique registou, desde o início de 2025, 40 homicídios de mulheres e 18.365 casos de violência baseada no género, dados que confirmam a persistência de um problema que continua a afectar mulheres e raparigas em todo o país.
Os números foram avançados hoje, em Maputo, pelo Secretário de Estado de Género e Acção Social, Abdul Esmail, durante o lançamento da Campanha Nacional de Combate à Violência de Género e ao Feminicídio.
A iniciativa visa mobilizar instituições públicas, sociedade civil, parceiros de cooperação e comunidades para enfrentar o fenómeno, sob o lema “Tolerância Zero à Violência Baseada no Género e ao Feminicídio”.
Segundo o governante, os dados evidenciam a urgência de uma resposta coordenada e integrada, capaz de proteger as vítimas e responsabilizar os agressores.
“Cada número tem um rosto, uma história interrompida, sonhos que se apagam e famílias que se quebram. Estes actos não são apenas crimes, são feridas abertas na consciência colectiva da nossa sociedade”, afirmou.
Esmail explicou que a campanha assenta em pilares como a prevenção da violência, protecção e assistência às vítimas, responsabilização dos agressores e engajamento comunitário, com destaque para o papel dos homens na mudança de atitudes.
“Este plano representa mais do que uma resposta institucional, é um compromisso firme do Estado moçambicano em proteger vidas, restaurar dignidades e afirmar que nenhuma forma de violência será tolerada”, disse.
O governante destacou ainda a importância do acompanhamento das acções através de relatórios públicos anuais, auditorias sociais e participação de sobreviventes e da sociedade civil, garantindo transparência e responsabilização.
Durante a cerimónia, foi observado um minuto de silêncio em memória das vítimas.
“Que este silêncio não seja vazio, mas sim um grito colectivo por justiça, mudança e por um futuro seguro para todas as mulheres”, declarou.
Concluindo, Esmail reconheceu que, apesar dos avanços legais e institucionais, a violência de género continua a afectar profundamente famílias e comunidades.
“Não podemos, nem devemos, aceitar que mulheres continuem a morrer pelo simples facto de serem mulheres”, afirmou.
Entre as medidas em curso, destacam-se a expansão dos Centros de Atendimento Integrado (CAI) e dos gabinetes de atendimento à família e menores nas esquadras policiais e unidades sanitárias, assegurando respostas mais integradas, humanizadas e acessíveis.
Programas complementares, como o EMPODERA, articulam a prevenção da violência com o empoderamento económico de mulheres e raparigas, promovendo soluções sustentáveis.
(AIM)
SNN/sg
