Preços dos combustíveis podem sofrer ajuste face à escalada internacional
Maputo, 09 Abr (AIM) – O Ministério dos Recursos Minerais e Energia admite que os preços dos combustíveis no mercado interno poderão ser ajustados nos próximos tempos, face ao acentuado aumento dos custos de importação no mercado internacional, fortemente influenciado pelo conflito no Médio Oriente.
A informação foi avançada hoje, em Maputo, pela directora nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, Felisbela Nhate, durante uma conferência de imprensa realizada na presença de importadores e distribuidores do sector.
A responsável sublinhou que o país enfrenta um “choque” nos preços dos produtos petrolíferos, com impacto directo na factura de importação e, consequentemente, na economia nacional.
Segundo explicou, o custo total das importações de combustíveis referentes ao mês de Abril ascendeu a cerca de 230 milhões de dólares norte-americanos, mais do dobro dos cerca de 80 milhões registados nos meses anteriores.
“Estamos aqui a registar um aumento muito significativo da factura de importação de combustíveis. Em Abril já está a ser cotado em mais de 230 milhões de dólares, saindo de um cenário de cerca de 80 milhões de dólares nos meses anteriores”, afirmou Felisbela Nhate.
De acordo com a fonte, a subida dos preços internacionais está directamente ligada à instabilidade no Golfo Pérsico, uma das principais regiões fornecedoras de combustíveis a Moçambique.
Dados apresentados indicam que a gasolina passou de cerca de 700 dólares por tonelada, entre Janeiro e Fevereiro, para 1.037 dólares em Abril. Já o gasóleo registou a variação mais acentuada, saltando de 730 dólares para 1.480 dólares por tonelada no mesmo período.
Felisbela Nhate destacou que o gasóleo, em particular, tem um impacto transversal na economia, devido ao seu papel essencial no transporte e na logística.
“O gasóleo é o combustível que é usado praticamente nos meios de logística e transporte e tem um efeito multiplicador em todos os outros sectores. Este aumento vai criar uma forte pressão sobre os preços domésticos”, salientou.
Além do encarecimento do produto, os custos de transporte também registaram uma subida significativa, agravando o preço CIF, indicador central na formação do preço final dos combustíveis.
“O custo de transporte do barril passou de cerca de 5 dólares, em Janeiro, para aproximadamente 13,70 dólares”, revelou.
Perante este cenário, o Governo admite a possibilidade de ajustamentos nos preços internos.
“Estamos já a fazer um exercício que vai naturalmente culminar com a necessidade de fazermos alguns ajustes, mas sempre acompanhado por medidas de mitigação dos impactos que o Governo deverá aplicar”, afirmou.
A responsável alertou ainda para riscos adicionais, nomeadamente a redução da liquidez das empresas distribuidoras, dificuldades no acesso ao financiamento bancário e eventuais constrangimentos no abastecimento.
“Esta factura agravada traz riscos que devem ser considerados pelo sector, incluindo desafios na manutenção do abastecimento de combustíveis ao país”, referiu.
No plano regional, Moçambique não está isolado. Segundo Felisbela Nhate, vários países da África Austral já procederam a revisões em alta dos preços dos combustíveis durante o mês de Abril, com destaque para Malawi, Zimbabwe, Zâmbia e Tanzânia, acrescentando que a África do Sul apresenta preços mais elevados que Moçambique.
Apesar do contexto adverso, o Governo garante estar a preparar medidas de mitigação para reduzir o impacto sobre os consumidores e a economia.
“Há um conjunto de medidas que foram usadas no passado que, naturalmente, terão que ser activadas neste momento”, garantiu.
Felisbela Nhate apelou ainda à calma, sublinhando que o eventual ajuste ainda carece de análise por parte do Governo e do regulador, com vista à protecção do consumidor final.
“Não há pânico, apenas estamos a elevar a consciência do público sobre o que está a acontecer. Moçambique, enquanto importador, está inevitavelmente exposto às flutuações do mercado internacional”, alertou.
(AIM)
Paulino Checo /sg
