Maputo, 10 Mar (AIM) – O governo moçambicano está a traçar diferentes cenários económicos para mitigar o impacto da eventual subida do preço do barril de petróleo no mercado internacional, na sequência da escalada do conflito no Médio Oriente.
Falando hoje em Maputo, no briefing à imprensa, minutos após o término da 7ª sessão ordinária do Conselho de Ministros, o secretário de Estado do Tesouro e Orçamento, Amílcar Tivane, explicou que o Executivo acompanha com atenção a evolução da situação internacional e os seus possíveis efeitos na economia nacional.
Actualmente, o preço do barril de petróleo situa-se em cerca de 88 dólares.
Segundo Tivane, num cenário extremo, em que o preço do barril ultrapasse os 140 dólares, a economia moçambicana poderá registar um crescimento negativo.
Num cenário moderado, com o barril a rondar os 120 dólares, o governante explicou que os impactos poderão reflectir-se sobretudo na estrutura de custos das micro, pequenas e médias empresas que operam em sectores como agricultura, indústria transformadora, transportes e comércio retalhista.
Caso o choque nos preços se prolongue, acrescentou, as perspectivas de recuperação económica poderão ser igualmente afectadas.
Dados recentes indicam que a economia moçambicana registou um crescimento de cerca de 0,5 por cento em 2025, sendo que a recuperação prevista poderá tornar-se mais lenta caso a instabilidade internacional persista.
“Mas todas estas são projecções condicionadas aos desenvolvimentos no Médio Oriente, que estão a ser acompanhados atentamente”, afirmou.
Perante este cenário, o governo apelou a todos os actores do sector dos combustíveis, incluindo a Associação Moçambicana de Importadores de Combustíveis e os distribuidores, para assegurarem o rápido desembaraço aduaneiro do combustível actualmente disponível nos terminais oceânicos do país.
Tivane explicou ainda que, caso a situação se agrave, o governo poderá accionar outros mecanismos de estabilização económica, incluindo o Fundo de Estabilização.
Segundo o governante, este instrumento poderá ajudar a amortecer impactos sobre sectores sensíveis da economia, como os transportes, o custo do cabaz de bens essenciais e a estrutura de custos das empresas.
“Havendo necessidade, vão ser accionadas medidas de choque, com o propósito de mitigar as perturbações que um choque desta natureza pode provocar no custo de vida e nas perspectivas de recuperação da economia moçambicana”, disse.
O conflito no Médio Oriente intensificou-se na última semana, aumentando as preocupações no mercado internacional quanto ao eventual impacto na oferta e nos preços do petróleo.
(AIM)
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