Maputo, 4 Set (AIM) – O investigador e docente da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Vali Issufo, defendeu esta quinta-feira, em Maputo, a adopção de soluções de inteligência artificial (IA) adaptadas às condições reais dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), tendo em conta as limitações de acesso a equipamentos, energia, dados e infra-estruturas tecnológicas.
Vali Issufo falava durante o quarto Diálogo sobre Pequenos Negócios e Empreendedorismo da CPLP, que decorre no recinto da Feira Agropecuária, Comercial e Industrial de Moçambique (FACIM).
Segundo o investigador, uma inteligência artificial útil deve partir das condições concretas em que será utilizada, defendendo, entre outras soluções, o recurso a telefones de baixo custo, aplicações que consumam poucos dados, serviços essenciais disponíveis sem ligação à internet e ferramentas que tenham em consideração as línguas faladas, as regras e as práticas comerciais locais, que muitas vezes dependem de mecanismos simples de confiança humana e de uma governação adequada.
Explicou que os chamados modelos de fronteira demonstram até onde a inteligência artificial pode chegar, mas a sua implementação depende de processadores gráficos (GPU), energia, sistemas de refrigeração, redes e investimentos elevados, recursos que, segundo afirmou, estão acima das condições disponíveis na maior parte dos países da CPLP.
Um dos exemplos de investimentos em infra-estruturas para inteligência artificial é o projecto Stargate, nos Estados Unidos da América (EUA), cujo orçamento está estimado em 500 biliões de dólares norte-americanos.
“É aqui que os Small Language Models (SLM) oferecem oportunidades concretas. Estes modelos podem ser especializados numa língua, num sector ou numa tarefa e operar com menos memória, capacidade computacional e custos”, disse.
Explicou que o valor destes modelos não reside apenas no seu tamanho, mas também na arquitectura e na forma como são utilizados, defendendo soluções que privilegiem modelos mais pequenos como opção por defeito, inclusive em smartphones modestos, reservando modelos de maior dimensão para situações excepcionais e mediante autorização.
Na China, prosseguiu, estão igualmente previstos investimentos significativos em infra-estruturas de inteligência artificial, com um projecto avaliado em dois triliões de yuans, equivalentes a cerca de 295 biliões de dólares norte-americanos, a serem aplicados durante cinco anos.
O quarto Diálogo sobre Pequenos Negócios e Empreendedorismo da CPLP contou com a participação de representantes do Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e outros países da organização, bem como de jovens empresários e detentores de pequenas empresas provenientes de quase todas as províncias de Moçambique e de outros países.
Vali Issufo integra a equipa responsável pela elaboração de directrizes para a utilização da inteligência artificial no espaço académico e modera igualmente a conversa sobre propriedade intelectual e plágio no contexto do uso da inteligência artificial.
(AIM)
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