Maputo, 11 Set (AIM) – O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, considera o acesso à água potável uma das principais respostas para melhorar as condições de vida das famílias e dotá-las de capacidade para enfrentar os efeitos da seca.
A afirmação surge depois do estadista moçambicano ter inaugurado, ainda hoje, o sistema de abastecimento de água de Muatimamba, no distrito de Panda, província de Inhambane, sul do pais.
A infra-estrutura, com capacidade para beneficiar, na fase actual, pouco mais de três mil pessoas e potencial para alcançar cerca de cinco mil, dispõe de 200 ligações domiciliárias e três fontanários públicos, contribuindo para reduzir a distância percorrida pelas famílias em busca de água.
“A água é muito importante para podermos enfrentar esta seca. Porque sem água não há vida”, afirmou Chapo.
Defendeu a necessidade de todos se empenharem na protecção do sistema, que conta com uma reserva de 75 metros cúbicos e um depósito com capacidade para 100 metros cúbicos, o equivalente a 100 mil litros.
O sistema é alimentado por duas bombas de captação, com capacidade de 10 metros cúbicos por hora cada. Antes da sua entrada em funcionamento foram realizados os respectivos testes.
Na ocasião, o Chefe do Estado destacou o impacto do acesso à água na vida das mulheres e raparigas, que muitas vezes são responsáveis pela sua procura e transporte.
“Quando não há água, a mulher passa muito tempo à procura de água. As meninas, em vez de estudarem e fazerem os trabalhos de casa, passam esse tempo à procura de água. Por isso, a água muda completamente a vida de uma comunidade”, explicou.
Chapo apelou aos beneficiários para contribuírem para a manutenção do sistema, através do pagamento do consumo, lembrando que o funcionamento das bombas exige energia eléctrica e que existem custos relacionados com o tratamento da própria água, manutenção da tubagem e reparação de equipamentos.
“Esta água é nossa e temos que cuidar dela”, afirmou, advertindo contra actos de vandalismo e sabotagem, que classificou como acções dos “inimigos do desenvolvimento e da paz”.
O Presidente da República encorajou ainda as famílias a aproveitarem a disponibilidade de água para desenvolver hortas nos quintais, produzindo culturas como couve, cebola, tomate e cenoura, de modo a melhorar a alimentação e reduzir as despesas nos mercados.
A construção do sistema iniciou em 2022. As obras foram interrompidas devido a problemas técnicos relacionados com o empreiteiro. Os trabalhos foram retomados em 2025, com um período de execução de 12 meses.
A representante do Reino Unido explicou que o país apoia projectos de abastecimento de água rural em Moçambique desde 2009. Desde então, aquele país contribuiu para a construção de mais de 180 sistemas em diferentes pontos do país, dos quais 11 na província de Inhambane.
Segundo a representante britânica, o sistema de Muatimamba representa um investimento de cerca de 33 milhões de meticais (aproximadamente 516 mil usd) e constitui uma resposta aos efeitos das mudanças climáticas.
Defendeu a necessidade de uma gestão comunitária transparente e participativa.
Chapo afirmou que a inauguração cumpre uma promessa feita à população em 2024, quando garantiu que, caso fosse eleito, o Governo trabalharia para melhorar o acesso à água.
“Hoje viemos cumprir com a nossa promessa. A água está aqui”, declarou.
O Chefe do Estado reiterou que o desenvolvimento exige paz e segurança, observando que estas não significam apenas ausência de guerra, mas também o combate à violência, ao discurso de ódio, à manipulação, à desinformação e aos rumores.
“Pouco a pouco, com paz, com segurança, vamos desenvolver Moçambique”, disse.
(AIM)
NL/mz
