Maputo, 11 Set (AIM) – O Governo moçambicano desafiou hoje, em Maputo, as empresas sul-coreanas a investir no processamento local de minerais críticos, bem como do gás natural.
A medida visa acelerar a industrialização, gerar mais empregos e aumentar o valor da economia nacional.
A Secretária de Estado da Indústria, Custódia Paúnde, afirmou que o Governo pretende deixar de ser apenas exportador de matérias-primas.
Defendeu, por isso, maior participação de empresas sul-coreanas no processamento destes recursos, bem como no desenvolvimento das indústrias metalúrgica, química e alimentar.
“Não pretendemos ser apenas um exportador de matérias-primas brutas. Queremos que as empresas coreanas, mundialmente reconhecidas pelo seu avanço tecnológico, se juntem a nós para investir no processamento local dos nossos recursos”, disse Paúnde, falando na abertura do Fórum de Negócios Moçambique-Coreia do Sul.
Paúnde destacou a experiência da Coreia do Sul na industrialização e inovação, considerando que esta pode contribuir para a transformação económica do país, particularmente nas áreas de energias verdes, tecnologia e descarbonização das cadeias de valor.
Assegurou ainda que o Governo está empenhado em implementar reformas para melhorar o ambiente de negócios, oferecendo maior segurança e previsibilidade aos investidores privados.
Por seu turno, o Presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Álvaro Massingue, defendeu maior participação das empresas moçambicanas nos investimentos sul-coreanos, através da transferência de tecnologia, desenvolvimento de competências, fornecimento local de bens e serviços e criação de empresas conjuntas.
“Os relacionamentos de negócios não são construídos apenas através da cooperação governo-a-governo, mas, acima de tudo, através do envolvimento directo entre as empresas, os investidores e os empreendedores”, afirmou Massingue.
O dirigente apontou o gás natural, energia, infra-estruturas, agricultura, manufactura, logística e mineração como sectores com elevado potencial de cooperação.
Massingue salientou que Moçambique procura parceiros capazes de trazer tecnologia, capital, inovação e acesso aos mercados internacionais.
Afirmou que a cooperação deve contribuir para maximizar a criação de valor local, através do desenvolvimento de indústrias e serviços e da integração das empresas moçambicanas nas cadeias de valor.
Apelou às empresas sul-coreanas para estabelecerem parcerias mais profundas com o sector privado nacional, incluindo através de transferência de tecnologia e desenvolvimento de competências.
Na ocasião, o Embaixador da República da Coreia, em Moçambique, Bok-Won Kang, disse que a cooperação económica bilateral atravessa uma nova fase, marcada pelo aumento dos contactos entre governos, parlamentos e empresas dos dois países.
Segundo o diplomata, o gás natural continua a ser uma das áreas mais visíveis da cooperação, destacando a participação de empresas sul-coreanas em projectos ligados ao sector.
Sublinhou, contudo, que a parceria já se estende a áreas como segurança pública, saneamento, distribuição de produtos farmacêuticos, energia solar e reforço da rede eléctrica.
O diplomata referiu que empresas coreanas estão a desenvolver projectos em diferentes pontos do país, incluindo Tete (centro) e Niassa (norte), defendendo que a actual dinâmica de cooperação deve resultar em novos contratos, investimentos, empregos e transferência de tecnologia.
“Juntos, a Coreia e Moçambique podem ir mais longe”, afirmou o Embaixador.
Apelou ao reforço da confiança e do entendimento entre os dois países para inaugurar uma nova fase de cooperação económica.
O Fórum de Negócios Moçambique-Coreia do Sul reúne empresários e investidores dos dois países com o objectivo de transformar as oportunidades identificadas em projectos, investimentos e parcerias concretas.
(AIM)
Laura Tembe/mz
