Marracuene, 28 de Set (AIM) – As cheias que atingiram a cidade de Xai-Xai, província de Gaza, no primeiro semestre deste ano e os atrasos no desembolso de fundos do Estado estão a sufocar financeiramente edilidade, que enfrenta dificuldades para executar o seu plano anual, recuperar infra-estruturas destruídas e garantir o funcionamento regular dos serviços.
A situacao foi relatada disse o Presidente do Município, Ossemane Adamo, em entrevista à AIM, à margem da VI Sessão Ordinária do Conselho Nacional de Coordenação.
Segundo o edil, o município recebeu apenas em Junho os valores correspondentes aos primeiros três meses do ano referentes ao Fundo de Compensação Autárquica (FCA), permanecendo por desembolsar os restantes nove meses, além do Fundo de Investimento Autárquico (FIA).
“A questão do desembolso é um grande constrangimento para nós como gestores do município e, particularmente, para a cidade de Xai-Xai, que sofreu o primeiro semestre com as cheias”, afirmou o edil.
A fonte defende que o Município deveria merecer atenção especial devido à dimensão dos danos provocados pelas inundações. A situação reflecte-se directamente na execução do plano anual, actualmente em apenas 20 por cento, segundo dados apresentados pelo presidente do Município.
“Como já estamos há três meses do fim do plano anual, ainda não conseguimos executá-lo por falta deste desembolso”, explicou. Acrescentou que os primeiros seis meses do ano foram dominados pelas operações de emergência para salvar, alojar e alimentar as populações afectadas pelas cheias.
Os danos atingiram particularmente as zonas baixas da cidade. Cerca de 30 mil pessoas residentes no Posto Administrativo de Angulosano, cuja população depende maioritariamente da agricultura, viram as suas áreas agrícolas afectadas.
O Governo Central já disponibilizou uma máquina para a reabilitação das valas e do sistema de regadio, permitindo a retoma da actividade agrícola.
Persistem, contudo, problemas nas estradas, mercados, sistemas de esgoto e abastecimento de água, além da energia eléctrica. Em Ngoruzane, cerca de 15 mil munícipes, que vivem da pesca, agricultura e criação de gado, continuam afectados por problemas de energia, dificultando, entre outros aspectos, a conservação do pescado.
Para repor o funcionamento do município, excluindo a recuperação integral da cidade, Adam estima serem necessários cerca de 600 milhões de meticais. O levantamento dos custos para a cidade ainda está em curso, mas o edil considera que será elevado devido à extensão dos danos.
As cheias também agravaram a capacidade de arrecadação de receitas. De acordo com Adamo, 90 por cento da área económica de Xai-Xai está localizada na zona baixa, precisamente uma das áreas mais afectadas pelas águas.
“Estamos com um grande problema da arrecadação de receitas”, declarou.
Explicou que o município decidiu reduzir algumas taxas para metade, numa tentativa de aliviar a pressão sobre os operadores económicos e ajudar na recuperação da actividade comercial.
A média mensal de arrecadação municipal situa-se actualmente em cerca de 5 milhões de meticais, contra uma folha salarial de aproximadamente 10 milhões de meticais, criando um défice estrutural para o município.
Para garantir o pagamento dos salários, o município recorre ao FCA, que representa cerca de 9 milhões de meticais, segundo o Presidente.
Enquanto isso, as autoridades continuam a trabalhar na recuperação das infra-estruturas afectadas. O Ministério das Águas Públicas iniciou a reparação dos rompimentos do dique, enquanto a reabertura das valas é apontada como outra medida importante para reduzir os efeitos das inundações e permitir a retoma das actividades económicas e sociais.
(AIM)
Paulino Checo
