Maputo, 23 de Fevereiro (AIM) – A invasão russa à Ucrânia, iniciada em Fevereiro de 2022, completa quatro anos sem perspectiva clara de paz. O conflito, considerado o maior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, permanece num impasse, com a Rússia a controlar cerca de 20% do território ucraniano, incluindo a Crimeia e partes do Donbass, sem avanços significativos desde 2024.
A ofensiva foi amplamente condenada pela comunidade internacional, que impôs novas sanções à Rússia, desencadeando uma crise financeira no país. Segundo estimativas do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), até 1.º de Maio de 2022 mais de 5,5 milhões de ucranianos haviam fugido do país devido à guerra, enquanto mais de 7 milhões foram forçados a deslocar-se internamente.
Registaram-se protestos em várias partes do mundo contra a invasão. Na Rússia, manifestações foram reprimidas com detenções em massa, ao mesmo tempo que o Governo intensificou a repressão sobre os meios de comunicação independentes.
O docente universitário e activista ambiental Flávio Carlos Beixa considera o conflito “catastrófico” e questiona a sua legitimidade: “Em pleno século XXI, assistir a conflitos desta dimensão não é admissível. Não se justifica que o mundo demore a levantar-se contra a Rússia, não com armas, mas em viva voz, dizendo ao senhor Vladimir Putin basta de guerra. O mundo assim não avança, porque este conflito põe em causa o progresso económico global”.
As perdas humanas são elevadas. Estimativas apontam que o total de mortos, feridos e desaparecidos de ambos os lados poderá aproximar-se de dois milhões. O uso intensivo de artilharia e drones transformou a guerra numa disputa prolongada de desgaste.
A economia ucraniana sofreu um colapso significativo e depende de ajuda internacional para sustentar o esforço de guerra. A Rússia, apesar das sanções, conseguiu manter a economia com o aumento das despesas militares, embora enfrente sinais de desaceleração. A crise humanitária mantém-se profunda, com milhões de deslocados dentro e fora do país e cidades inteiras destruídas.
O activista social e agente de saúde Sérgio Marque Juliano sublinha o impacto humano do conflito: “Estão a perder a vida milhares de pessoas e outras a adquirir deficiências involuntárias por causa de um conflito que não apresenta avanços significativos. Desde o início da invasão, fala-se de resultados insignificantes no campo de batalha e de muitas baixas, o que já devia chamar à consciência do Presidente Putin. Se a Rússia não está a ganhar, é porque a Ucrânia também não está a perder”.
Nos últimos anos, surgiram denúncias de recrutamento de estrangeiros para apoiar o esforço russo, incluindo cidadãos africanos e, segundo relatos, alguns moçambicanos, tanto para actividades militares como para trabalho em fábricas de produção de drones. Organizações de direitos humanos alertam para possíveis casos de exploração laboral e falta de transparência nos contratos.
Para Octávia da Caridade, estudante universitária, “acompanho as notícias sobre o conflito entre a Rússia e a Ucrânia e, mesmo sem profundo conhecimento sobre guerras, lamento que, passados quatro anos, continuemos a assistir à destruição e morte num país e de um povo que não merece tanto sofrimento. Muitas pessoas abandonaram as suas terras, deixando para trás uma história de vida, com danos psicológicos difíceis de reparar”.
Até ao momento, não se registam avanços consistentes nas negociações de paz. Com custos humanos e económicos crescentes, a guerra continua a representar uma grave ameaça à estabilidade internacional.
